Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Ciência da gestão? Como assim?

Então,uma disciplina para ser digna desse nome tem que ter capacidade preditiva, ou seja: tem que nos habilitar a prever,com base numa lógica clara, os efeitos que nossas ações vão provocar no mundo real. Sem relações de causa e efeito nada feito em gestão como nada feito em engenharia (sua ponte vai cair) como nada feito em medicina (seu doente vai morrer).
Sem capacidade de inferir uma linha de ação que leve ao sucesso com mais probabilidade gestão não mereceria ser estudada.Seria o mesmo que tentar estudar como acertar lances de dados.
Nada há em management (nem em qualquer outra disciplina) nada que seja válido em todas as circunstâncias. Em gestão é errado dizer, por exemplo, que “descentralizar” é melhor do que “centralizar”, ou que “ficar no que se conhece” é melhor do que “diversificar”, ou que “terceirizar” é melhor do que “fazer em casa”, ou que dar “autonomia à ponta da operação” é melhor que o contrário. Tudo depende das circunstâncias em que a empresa está. Em medicina é igualzinho: o tratamento depende das circunstâncias de cada paciente, não é lógico isso? Um médico é treinado exatamente para aprender a discernir a melhor linha de ação a partir da situação específica do paciente que está a sua frente.
Um dos maiores absurdos do mundo da gestão é a facilidade com que “especialistas” fazem recomendações que se pretendem válidas em todas as circunstâncias. Isso não existe. Joan Magretta- ex editora da Harvard Business Review faz o seguinte comentário:..” o número de livros e artigos em management é hoje de mais de 2000 por ano. A maioria foca em um única idéia, uma única peça do quebra-cabeças freqüentemente fora do contexto.Como os leitores .. querem idéias que possam ser usadas, a literatura está cheia de “lições aprendidas” e listas - as famosas “10 coisas” que você têm que fazer para tornar-se um bom gestor, ou um líder bacana, ou um negociador eficaz,ou um cara fodão...... O que há de errado aqui? Faça a conta.Multiplique as 10 coisas a fazer pelas 2000 publicações e , de repente, você tem vinte mil coisas a fazer! E isso é apenas a safra de uma ano! “. Tem alguma coisa errada aqui não tem não?
Vejam como os estudantes de gestão sofrem: Clayton Christensen comenta sobre dois ótimos livros, de autores sérios, e da mesma editora (acima de qualquer suspeita). Ambos tratam do mesmo problema: o desafio de manter a empresa crescendo lucrativamente- mas suas recomendações são opostas! Um recomenda a destruição criativa. Para crescer sustentavelmente você tem que estar sempre se reinventando(arghhh); fechando unidades de negócio, abrindo outras,experimentando modelos diferentes etc.. e tal. O outro diz que você tem que se manter fiel àquilo que você já faz e não se distrair em aventuras fora daí. E você , pobre estudante ou gestor profissional, faz o quê? Quem você escolhe?
Uma ciência da gestão tem que resolver isso.

04/07/2008

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Para ter efeito no mundo real, o conhecimento tem que ser codificável,se não,ele é arte,não ciência.Só ciência muda o mundo em larga escala.

Veja se concorda:
O que derrotou o marxismo foi a aplicação de conhecimento ao trabalho. Quer dizer, foi management. O fato, inquestionável, é que graças a isso, os trabalhadores começaram a viver melhor. O ideal igualitário marxista naufragou ao colidir com um rochedo de hamburguer (ou teria sido de rosbife?).
O segredo que se descobriu foi o seguinte: trabalhar com mais inteligência é mais produtivo do que trabalhar mais.
O que faz alguns países crescerem de forma sustentada, não são novas tecnologias físicas, são novas organizações e novos conceitos gerenciais.
O MacDonald’s (sim,o MacDonald’s) e a invenção do fast food nos anos 50. A Toyota, com seu just in time nos anos 60. A Southwest Airlines e seu modelo de aviação comercial nos anos 70. Os fundos de pensão como investidores, as organizações transnacionais..
Conceitos novos são mais importantes que novas tecnologias físicas.
O conceito de linha de montagem de Henry Ford, e a estrutura da GM com Sloan, nos anos 20, são mais notáveis do que a tecnologia do automóvel em si. A DELL (just in time com computadores) é mais importante que computador. O hospital é mais importante que qualquer tecnologia médica ou avanço terapêutico-(aliás, alguém bem que podia aplicar conhecimento novo à ultra-medíocre área de saúde. Por que inovação nessa área é praticamente inexistente em todo o mundo?).
Alguém poderia dizer que há aspectos muito relevantes do conhecimento que não podem ser capturados num código (schema,é o termo técnico).Mas, conhecimento que não pode ser codificado de nenhuma forma,também não pode ser transmitido. Nós chamamos esse tipo de conhecimento de ARTE,e temos de excluí-lo do repertório de ferramentas da gestão.
Conhecimento intuitivo (ou tácito , como gostam de dizer) não muda o mundo (hei,não estou dizendo que não é importante,estou dizendo que não muda o mundo).
Se um nosso antepassado- (um pré-histórico chamado, Zé,digamos)-inventasse um modo mais bacana de fazer machados,usando pedra lascada segundo uma metodologia que só o Zé dominasse, mas não conseguisse explicar ou transmitir a ninguém,então, esse conhecimento morre quando Zé morrer.Ele não poderá ser parte da evolução dessa tecnologia chamada “machado”..
Decore.Nunca esqueça.Repita como um mantra:
para algo ter valor em inovação tem que poder ser codificado.
Para ter valor em inovação tem que poder codificar;para ter valor em inovação tem que poder codificar,para ter valor....


02/07/2008

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Como em medicina

Sucesso em gestão tem acontecido mais com base na intuição e talento de pessoas excepcionais [os Jack Welch, Bill Gates,Michael Dells da vida ..] do que em estudo sistemático.
Isso tem que mudar.
Não mudar isso seria o equivalente à medicina apoiar-se em intuições de médicos fora de série. Absurdo. Medicina tem de se apoiar no melhor conhecimento disponível a todos dentro da profissão médica. Ciência (saber sério) nunca se constrói com base em intuição. Nunca.
Anote aí:para ter efeito em larga escala, qualquer saber tem que poder ser codificado.Se não ,não terá efeito prático.Será arte pura,e estamos falando de outra coisa aqui.
Em cursos de gestão o conhecimento é transmitido em compartimentos: finanças, controles, marketing, vendas, produção, tecnologia, recursos humanos, liderança, logística...essas coisas são ensinadas sem nada de orgânico que as una. O que une e valida os temas que um médico estuda é a saúde do paciente.
Há critérios claríssimos para se saber se determinada linha de tratamento está sendo boa ou não. No caso extremo o doente morre. No caso de um engenheiro, a ponte cai.
Há um acúmulo impressionante de dados mostrando que a regra geral nas organizações é o fracasso,e se gestão é resultado (não esforço) isso depõe contra a profissão.
Isso ocorre porque estamos ainda numa fase pré-científica em gestão.O " curandeirismo "ainda domina.A mentalidade da revista "CARAS" é que define o que é pop.Veja a última capa da EXAME- presidente da InBev-um cara genial que quer mudar o mundo.Já vi a mesma capa dezenas de vezes-com o Constantino da Gol, com o Gerdau da Gerdau,com os caras do Garantia, com o Eike Batista, com os alunos dos caras do Grantia,com quem ficou milionário nos IPOs,com que sonha em ficar milionário com IPOSs...
Haja saco!

01/07/2008

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Gestão-como transformar conhecimento em resultado?

Pense no projeto Manhattan: “temos de produzir uma bomba atômica antes dos alemães”. Para isso seria necessário mobilizar talentos de centenas de cientistas de várias nacionalidades, usando descobertas da física que mal tinham 5 anos. Aconteceu. Sem gestão não teria acontecido. Idem o projeto Apollo - em 1960, John Kennedy prometeu: “colocaremos um americano na Lua antes do final da década”. Em 1969 tinha um lá.
Certo, sem gestão também não teria havido nem pirâmides nem catedrais, mas a idéia de que existe algo a que podemos chamar disciplina da gestão é nova, é da segunda metade do século XX , e só agora, no alvorecer do século XXI, parece haver consenso quanto à importância dessa "coisa" em todos os aspectos da vida.
Medicina e Engenharia, por exemplo, também evoluíram a partir de saberes intuitivos (adquiridos por tentativa e erro,e transmitidos boca a boca ) para saberes codificados. Só quando um saber se torna codificado é que ele passa a contribuir em larga escala para a sociedade.
- Uma coisa é ter conhecimento sobre o mundo (sobre a natureza / o comportamento dos mercados/ a psicologia humana..)- outra, é transformar esse conhecimento em coisas úteis. Ciência é a melhor forma que existe para se chegar a saber alguma coisa. Gestão é a melhor forma que existe para se fazer coisas práticas usando aquilo que sabemos.
Newton nos ensinou as leis que nos permitem lançar naves espaciais e chegar a um certo ponto na Lua, mas é preciso uma organização como a NASA, para fazer o que é preciso para produzir uma nave espacial que pouse na Lua e volte à Terra em segurança.
Para isso é preciso management. Se você escolheu administração você optou pela profissão que trata da transformação de conhecimento em resultado. Seus princípios- (suas “leis de Newton”)- ainda estão sendo codificadas . Administrar é difícil por que não é natural. Management é intervir para manter as coisas num rumo. No rumo certo.
Sempre parece fácil depois, mas só depois. Management exige uma atitude mental particular. A prática dela precede o treinamento formal. Já que todo mundo tem que fazer alguma coisa acontecer, gestão é para todo mundo, seja empresa ou pessoa, ONG, igreja, escola ou agência do governo - ninguém mais pode ignorar o (resultado) que a gestão produz.
Uma ciência da gestão terá de ser capaz de dizer qual o “rumo certo” para chegar a certo resultado. Isso só pode ser feito com base em uma lógica que relacione causas com efeitos, como em qualquer outra disciplina.Para isso você tem que examinar o que tem acontecido no mundo das organizações, coletar dados, formular princípios e dizer: o rumo certo no seu caso é este assim assim.

30/06/2008

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A maior inovação do século XX

Se extraterrestres aparecerem na Terra talvez sua primeira pergunta para nós fosse: “vocês já descobriram a gestão?”.
Se chegaram à Terra foi porque souberam transformar conhecimento em resultado.Saberão que gestão é essencial para o progresso.Talvez seu conhecimento e tecnologia nem sejam assim tão superiores aos nossos, mas você pode apostar que eles são bons em gestão.Como eu sei? Se não fossem, estariam perdidos no espaço, ou sua nave teria explodido... teriam se esforçado, talvez,mas neca de resultado.Gestão é resultado, não esforço.
Gestão é,talvez, a maior inovação do século XX.
Uma disciplina –(ou seja: um conjunto de conhecimentos codificados) - cujo foco é a obtenção de resultados. Em inglês chamam isso de “management”; em português,“gestão” mesmo-(acho meio esquisito, mas ainda me soa melhor que “gerência” ou “administração”,mas uso todos esses termos indiscriminadamente).
Quem estuda gestão sofre um bocado. Ao contrário de outras disciplinas (como medicina ou engenharia, por exemplo) não há método para aprender management. É paradoxal. Se, como dizem, trata-se de uma inovação mais importante que o automóvel, a estrada de ferro, o laser, a física quântica, a energia nuclear, o microchip, a Internet..como pode não haver método para ensiná-la/aprendê-la? Não há mesmo não. É paradoxal, mas é verdade.Como se pensa e age “certo” em gestão?O que faz um gestor?
Gestão é a disciplina que torna produtivos os “saberes” de vários campos do conhecimento. É por meio dela que as outras inovações produzem seus efeitos.Gestão começa com uma forma de mentalizar o mundo. Sempre que temos de tomar iniciativas para gerar um resultado precisamos de gestão.
Quando falo “resultado” estou falando em intenção, propósito,objetivo....
Um medicamento novo,a fabricação de uma bomba atômica ,o sucesso profissional de alguém,a eleição de um político,o acerto de um programa governamental, a operação de um museu....
A “mentalidade gestão” é decisiva numa grande multiplicidade de circunstâncias. Tudo o que implica em organizar para alcançar um propósito, precisa de gestão-a disciplina mais importante para o espetacular salto na produção de riqueza, aumento de produtividade e qualidade de vida de um século para cá.
Uma ciência da gestão teria de ser construída a partir da identificação dos fundamentos disso que eu chamo de “gerar resultados”.A partir daí ela teria de propor leis e princípios que todos possam usar e verificar. É o resultado que ela obtém no mundo real que vai legitimá-la como ocorre em qualquer ciência.

29/06/2008

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Por que o “comportamental” (não o técnico!) é o decisivo em inovação

A base do pensamento e das teorias de Clayton Christensen é a seguinte:
empresas estabelecidas tendem a se apegar ao que seus clientes mais lucrativos desejam.É natural agir assim, mas essa é a fonte de seus problemas.Para quem quer inovar,é natural e errado agir assim.
É por isso que,em geral,as empresas estabelecidas são menos inovadoras que empresas novas,sem processo herdados,que nada têm a perder.
Gostamos de nos imaginar muito analíticos, isentos e rigorosos, mas não somos assim nem em nossas vidas pessoais nem nas decisões profissionais.
O processo de tomada de decisões nas empresas têm componentes não-racionais. Quer dizer, o que acontece na “economia interna” de uma empresa é fortemente dependente desses componentes “irracionais”.
O psicólogo Daniel Kahneman de quem já falei muito neste blog, ganhou o prêmio Nobel (de Economia!) em 2002 por demonstrar coisas como a seguinte:- as pessoas são muito mais sensíveis à perspectiva de perder alguma coisa do que à de ganhar alguma coisa.
Portanto, invariavelmente, consideramos como risco de perder aquilo que poderia muito bem ser considerado como oportunidade de ganhar.Em outras palavras: o risco de perder o que se tem atormenta muito mais os executivos do que a excitação de ganhar.
É por isso que gestores de sucesso em empresas tradicionais tendem a matar a inovação-eles resistem a por em risco sua reputação de “bem sucedidos”.
Pense na quantidade enorme de inovações que se revelaram muito maiores do que se poderia imaginar (o computador pessoal ,é ,talvez, o maior exemplo).Que executivo das empresas de informática existentes em 1980, iria lutar para que sua empresa canalizasse investimentos para um mercado que ninguém poderia saber quão grande seria?)
Estou convencido de que esse tipo de postura mental- (100% humana, repito)- está na origem de muitos erros em decisões na empresas. As empresas estabelecidas tendem a se agarrar ao status quo não por que sejam burras, mas porque são humanas.
Minha “ciência da gestão” é construída em cima desse tipo de constatação empírica. Gestão é importante porque o que de fato precisa ser feito nunca surge naturalmente. É por isso que intuição não pode ser a base para nossas ações. A ciência da gestão nos ensina a pensar certo em circunstâncias nas quais, intuitivamente, pensaríamos errado.


28/06/2008

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Post decente, só amanhã à tarde

Detesto ficar sem postar,mas esta semana não está dando mesmo.
Sábado vou começar a falar sobre as idéias de Clayton Christensen e explicar porque o considero o que há de melhor em conceitos práticos sobre inovação.Ele é o mais científico dos "gurus"-usa teoria para inferir o que virá,e fazer apostas bem orientadas.
Christensen se apóia muito em dados comportamentais para explicar e prever.O iPhone?
Vai ter de abrir logo seu sistema para desenvolvedores independentes de software,se não, não decola.
Isso ele disse há um ano.Não deu outra.Confira noticiário de uma semana atrás.
Como ele sabia?Simples.
vou explicar.

27/06/2008

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Semana enroladíssima.Viagens,viagens,viagens....

Com relaçao ao post abaixo:
Leia
aqui a coluna de EPOCA NEGÓCIOS em que falo do iPhone (Agosto de 2007).Vou explorar mais isso logo logo
Veja em AMAZON.doc um conjunto de informações (de 2000) que me levou a concluir que a Amazon.com tinha futuro.
Volto logo

24/06/2008

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Para valer alguma coisa, conhecimento em gestão tem que poder explicar e prever também.

É por isso que, em gestão/inovação, não hesito em fazer previsões. Isso é possível porque existem dinâmicas no mundo das organizações que nos permitem inferir,com algum grau de certeza,o que deve ocorrer no futuro. Sustento que a decisão com base no entendimento dessas dinâmicas, é o melhor que um gestor pode fazer.
Eu já disse aqui:empresas habitam o MEDIOCRISTÃO,portanto, há uma faixa em torno da qual podemos fazer previsões “informadas” (educated guesses).A certeza não é “matemática”, obviamente, é apenas “estatística”,digamos.
Exemplos:
-Em 2000,antes da quebradeira de empresas de Internet ,eu me meti numa polêmica dizendo que acreditava na Amazon.com.(peçam que eu explico por que).Hoje, a Amazon é uma das poucas empresas daquela época que se firmou (ao contrário de outras que, se não quebraram, têm futuro incerto como Priceline, WebVan,eBay,Yahoo ..)
-Há quase um ano, no lançamento do iPhone, eu escrevi uma coluna para a Época Negócios com o seguinte título original “O sucesso do iPhone será pequeno” (procure no meu site, ou peça que eu mando,não estou conseguindo inserir o link aqui).As recentes mudanças na estratégia da Apple para o iPhone indicam que eu estava certo (vou explicar isso direitinho noutro post esta semana).
-Na minha próxima coluna (de julho na Época Negócios) sugiro que a Casas Bahia deveria estabelecer certo engessamento na concessão de crédito, se não, corre o risco de ver a inadimplência explodir.
-Quando digo que não acredito em desenvolvimento sustentável no Brasil se os atuais níveis de corrupção forem mantidos (ausência da regra da lei), estou lançando mão do que se sabe das dinâmicas que moldam o desenvolvimento nos países que já chegaram lá(veja post abaixo).
A chave da coisa é entender essas dinâmicas. Pena que essa disciplina esteja totalmente ausente da formação de gestores (preferem monges,executivos,lideranças carismáticas e bobajadas pulocoelhistas ligadas à motivação ..).
Meu ídolo e mestre nessas coisas é Clayton Christensen,da Universidade de Harvard.No mundo da inovação, foi ele que identificou as dinâmicas que mais me impressionaram.Falarei delas aqui.

23/06/2008

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Quer construir um país desenvolvido? Saiba que cultura conta muito

Japão e Noruega estão entre os países mais desenvolvidos do mundo mas são totalmente diferentes. Não há fórmula.Isso,porém, não quer dizer que valha qualquer coisa.Vale não.
O grupo dos desenvolvidos tem características comuns que definem um bom ponto de partida se você quiser projetar um país do zero.O scholar argentino Mariano Grondona (Google!Google!) propôs uma maneira de classificar as normas culturais que influenciam diretamente o desenvolvimento de um país (podem não bastar, mas sem elas nada feito.Elas são o ticket de entrada para o jogo).
1. Normas ligadas ao comportamento individual-
Forte ética do trabalho.Reconhecimento de que sua vida depende de você, não dos “deuses” ,ou do chefe,ou dos políticos....Fatalismo é ignorância(“foi Deus que quis que eu fosse pobre”).Tem que haver a crença de que nosso esforço pessoal pode produzir resultados NESTA VIDA, e não apenas na próxima. Pense no Brasil.Note como incentivo ao parasitismo social, paternalismo do estado,”pobrismo”, assistencialismo.. pode nos empurrar na direção errada.
2. Normas ligadas ao comportamento coletivo (cooperação).
Antes de tudo,a crença em que a vida não é um jogo de soma zero,e que vale a pena cooperar.Sociedades que acham que há um bolo fixo de riqueza, e que você “tem que pegar logo sua fatia,se não alguém pega”,não conseguem se desenvolver.A cultura tem de estimular a justiça (fairness) e punir com rigor os fraudadores. Sem regra da lei não dá. Repare como corrupção estimula a mentalidade errada
3. Normas ligadas à inovação
Culturas que são mais racionais, mais baseadas na mentalidade científica ,são mais inovadoras. As que se baseiam em “mágicas” ou “espíritos”,são menos inovadoras. Culturas mais científicas são naturalmente experimentadoras,livres para tentar,celebram a variedade,não estigmatizam o erro.Rigidez ortodoxa paralisa a inovação. Controle central não dá.É fundamental também que a cultura dê suporta à competição e celebre as conquistas individuais. Tem que ser possível TER COISAS (individualmente).Direito de propriedade.Culturas excessivamente igualitárias reduzem o incentivo ao risco individual que é fundamental para a inovação... (continua)

22/06/2008

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