Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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18/12/2008

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William Bratton-chefe da polícia de Giuliani-introduziu uma série de práticas inovadoras na gestão da polícia de NY (vou tratar delas adiante)

Bratton ficou 27 meses no cargo até ser demitido (guerra de vaidades com Giuliani). Exatamente nesse período, a criminalidade caiu 39% (e sem aumento do número de policiais; o aumento de 45% a que Levitt se refere em Freakonomics é para toda a década de 90).
A criminalidade já vinha caindo desde o início dos anos 90, mas algo parece ter acontecido durante o primeiro mandato de Giuliani (94-98), que forçou uma mudança abrupta nos índices a partir de 1998. Aborto legalizado vinte anos antes não pode ter sido, pois não produziria inflexão brusca num único ano, seu efeito seria espalhado num certo período de tempo. O que terá sido?
E mais:em 2001 a criminalidade voltou a crescer em todo o país,menos na região de NY. A legalização do aborto em 1973, e o aumento do número de policiais aconteceram no país todo, por que então só em NY as taxas de criminalidade não voltaram a subir?
A resposta só pode ser: porque em NY havia algo que não havia em nenhum outro lugar. E este algo é o sistema de gestão da polícia implantado na cidade por Giuliani e em vigor até hoje.
Esse sistema é de dar inveja a muita empresa privada.
Um case para quem estuda administração (continua)

16/12/2008

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Pintou o candidato deste blog a presidente em 2010

Bem,chega de temas menores.
Lembram?Eu ia defender a seguinte tese- o que derrubou a criminalidade em NY foi gestão à lá empresa privada. Eu ia,mas fui interrompido por uma "edição extraordinária":criacionismo,Darwin,evolução,religião,deuses.
Voltemos a Giuliani,Bratton,Freakonomics,aborto,gestão .
Eu começava a escrever o post quando li no Estadão :
”Serra vai vincular repasse de verba a cumprimento de metas” .
Ôpa,o que é isso?
Trechos da matéria:

-O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pretende instituir em toda a administração um programa de resultados que prevê o repasse de recursos mediante o alcance de determinadas metas.
-A idéia é premiar quem usar os recursos com mais eficência e impor marcação cerrada por meio de um aumento do controle dos que não estariam gastando o dinheiro de forma racional.
-Os funcionalismo vê com um certo ceticismo esse tipo de projeto. "A princípio, pode ser uma coisa positiva. Mas os servidores são regidos por leis próprias"".

Ah,conheço esse papo-"funcionários públicos têm lei próprias né?".Quá,quá,quá,kkkk,qué,qué,qué...
Se Serra aguentar as pressões da mediocridade e for em frente com o que está propondo,eu voto nele em 2010. Sem contrapartidas.Não precisa me oferecer embaixada no exterior nem ministério.
O nome do que ele quer usar no setor público é gestão.
Foi exatamente o que Giuliani e equipe usaram em NY.É exatamente o que defendo para o setor público-mais mentalidade gestão.Tem que ter apetite porque a grita vai ser geral, mas é o que tem de ser feito.
Vejam no próximo post como foi em NY.

15/12/2008

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De onde veio a idéia de Deus como criador?
(final)


Então,as ferramentas que o homem de ontem criava (tecnologias,permitiam que ele fizesse coisas para que o mundo lá fora se encaixasse às suas necessidades.
Agora imagine homem de ontem observando a paisagem ao seu redor. O ambiente lhe agrada muito: há montanhas cheias de cavernas –ótimos lugares para se proteger da chuva e dormir em paz, fora do alcance dos ursos.Há uma densa mata cheia de frutas deliciosas.Há um rio com muita água para beber;você pode flutuar nele em seus barcos,pescar,nadar... Ug,primo do homem de ontem, acabou de chegar com um mamute. Mamutes são grandes,você pode comê-los, pode transformar suas peles em casacos, usar seus ossos para fazer armas para caçar outros mamutes.
É um mundo fantástico.
Homem de ontem começa a refletir: ”este mundo em que estou é perfeito para mim,quem fez isto tudo?" .
Pergunta traiçoeira e sem sentido. Por quê? Porque homem de ontem pensa de forma errada.Veja só:
"Bem, só há uma espécie capaz de fazer coisas para adaptar o mundo a si-a minha espécie.Quem fez tudo isso deve ser um tipo de homem muito maior, muito mais poderoso, e tem que ser invisível também. É,necessariamente,do sexo masculino porque na minha espécie quem faz melhor essas coisas são homens”.
E assim chegamos à idéia de um deus.
Quando fazemos as coisas que fazemos temos a intenção de fazer algo com elas, logo, homem de ontem pergunta-se: "Se ele fez tudo isso, ele fez para quê?" E aí vem a verdadeira armadilha porque homem de ontem está pensando: "Este mundo encaixa muito bem comigo.Aqui está tudo o que preciso para me alimentar, me proteger.. sim, este mundo se encaixa comigo perfeitamente”,e ele então chega à conclusão inescapável: “quem fez isso, fez para mim!”.
Imagine uma poça dágua. Ela(a poça)acorda certa manhã e pensa: “este mundo é interessante.. Encontro-me num buraco muito especial.Ele se adapta a mim direitinho.É perfeito para mim, não? Na verdade se encaixa tão espetacularmente em mim que deve ter sido feito para mim!
É uma idéia tão poderosa que,quando o sol nasce e vai fazendo a poça secar,secar,secar.. Ela(a poça)ainda se agarra à idéia de que tudo vai ficar bem, porque, afinal, este “mundo” (este buraco)foi criado para ela; foi construído para tê-la nele!
É uma grande surpresa quando a poça desaparece e o buraco vira lama ressecada.

14/12/2008

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De onde veio a idéia de Deus como criador? (I)

Imagine um homem primitivo entre 100 mil e 40 mil anos atrás.Vamos chamá-lo de “homem de ontem”.
Ele é anatomicamente igual a mim e você.Como tudo o mais,sua anatomia e aparência evoluíram ao longo do tempo e agora ele está num mundo sobre o qual tem algum domínio. Pode fazer certas modificações no ambiente com as ferramentas que constrói. Um exemplo da forma como o homem funciona em comparação com outros animais é o que chamam de “especiação”.Isso tende a ocorrer quando um grupo de animais se separa do resto por algum acidente geológico,uma convulsão social, pressão demográfica, escassez de alimentos ou o que for.
O grupo desgarrado vê-se de repente em um novo ambiente- onde,por exemplo, o clima é muito mais frio do que estão acostumados. Sabemos que em algumas gerações, genes que favorecem uma pele espessa coberta de pêlos poderão aparecer. Só sobreviverão os membros da espécie que tiverem esse tipo de proteção natural contra o frio.
Mas como se dá isso? É assim:o acaso,a chance, produz mutações(erros de cópia)nos genes de qualquer ser vivo,aos bilhões,trilhões, zilhões. Sabemos as fontes de algumas dessas mutações:raios solares,raios cósmicos..Se algum desses erros de cópia em genes tenderem a favorecer o surgimento de pelos espessos,seus portadores são os únicos membros da espécie que ficam vivos para copular,e seus descendentes vão herdar esses mesmos genes, que lhes fabricarão pelos espessos também. Em algumas gerações, todos os membros da espécie terão pelos espessos.
Se nenhuma das zilhões de mutações (produzidas pelo acaso) se prestar a produzir pelos espessos , nenhum membro da espécie sobrevive,e nunca mais ouviremos falar dela.A ciência sabe que hoje só existe uma fração mínima do total de espécies que um dia existiu.
Seleção natural não é acaso.É exatamente o oposto.É o que filtra o que interessa daquilo que o acaso produz.E o que é que interessa? Ficar vivo para eproduzir-se.
Mas nosso homem de ontem, que é um fabricante de ferramentas,não precisa disso: ele pode habitar uma variedade de ambientes extraordinariamente grande, desde a Sibéria ao Deserto de Gobi( tem gente que se adapta até à São Paulo,Deus seja louvado!).
A razão dessa extraordinária adaptabilidade é que quando homem de ontem se via em um novo ambiente,ele não precisava esperar por várias gerações para que seus genes ,eventulamente mudassem da forma certa- se chegasse a um ambiente mais frio e visse um animal com um espesso casaco de pelos, ele dizia “ vou tirar a pele desse bicho para me proteger”.Foi esse homem de ontem que criou a idéia de Deus que temos hoje.
Continua no próximo post.
+++++++++++++++++
Este post e os seguintes são tradução livre e adaptação de uma conferência de Douglas Adams. Um texto que curto muito.Original em inglês em:
http://www.biota.org/people/douglasadams/index.html

13/12/2008

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Criacionismo II-a volta

Já esperava os comentários ao post abaixo.Vou falar um pouco mais sobre como sou:
-Não sou uma pessoa religiosa, mas não combato a religião como escolha pessoal. Normas religiosas simplesmente não me interessam. Religião institucional, ”Deus”, são temas fora da minha vida. Não quero que me chateiem com pregações, pastores berrando na TV, música gospel com mensagens “espirituais”,jogador de futebol levantando a camisa e apontado para o céu com olhar enternecido agradecendo “ao senhor” pelo gol (em impedimento)....Fala sério,rapaziada!
Religião para mim é estética.
Gosto do cheiro da vela queimando, do incenso “misturado” ao som do órgão. Adoro o visual de monges entrando em fila no Mosteiro de São Bento para cantar seu estupendo Canto Gregoriano. Emociona-me a lembrança de meu pai, conduzindo a mim e a meus sete irmãos para a fila da comunhão, na missa domingo de manhã no mesmo mosteiro.
Agora, isso tem algo a ver com o que é a “verdade” ,seja isso o que for? Não para mim.
Isso é estética. Atletas crentes e pagodeiros gospel, são antiestéticos. Cardeais de voz afeminada falando com “doçura” idem. Preconceito? Claro que é. Este é o meu blog minha gente! (Se alguém não entendeu,não vou explicar;tentem o blog da Xuxa).
Estética,arte,sim, agem num domínio próprio. Não têm finalidade; não querem explicar o mundo;não dizem que a arca de Noé é para ser levada a sério;não me pedem que creia em virgens que engravidam sem interferência masculina,não canonizam santos,não me chateiam, com nonsense de pastores gritando na TV ,nem de jogadores de futebol que amam Jesus... etc,,etc,,
Se quiserem escrevo mais um post (só um) explicando por que quem diz que a evolução significa que a complexidade da vida surgiu por acaso,não entendeu nada.

11/12/2008

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Criacionismo

Às vezes me pedem que comente certos temas que prefiro evitar.
Por exemplo, há um tempinho, a ex-ministra Marina da Silva manifestou-se a favor do ensino do criacionismo nas escolas. Criacionismo é a idéia de que a vida (o mundo,o universo) foi criada intencionalmente por um designer inteligente.Uma variante xiita dessa idéia,afirma e crê que o mundo foi criado há 10 mil anos, em sete dias.
Bem, Marina da Silva não é meu modelo de rigor intelectual. Pra que perder tempo com isso?
Nos EUA há um debate rolando há anos sobre a validade de se ensinar criacionismo nas escolas como uma teoria alternativa ao evolucionismo de Darwin. Dizem que a teoria da evolução é "apenas uma teoria". É mesmo.É como a Teoria da Relatividade,apenas uma teoria.Ambas têm uma característica em comum:estão certas.
Não há ninguém minimamente levável a sério (estou excluindo as Marinas da Silva,naturalmente) que não reconheça que há uma montanha de evidência que confirma a teoria da evolução.
O mundo foi criado há dez mil anos? Besteira,burrice e ignorância simplesmente.
A idéia “criacionista” do design inteligente me é tolerável.Não me dá coceira.Não tenho vontade esmurrar nem de agredir quando a ouço.Convivo com ela civilizadamente,apesar de não ser a minha idéia-para mim, a vida foi criada sem designer inteligente.O designer é o algorítimo cego da seleção natural que não sabe o que está fazendo.
Agora, o mundo (o universo!!!) ter sido criado há dez mil anos,peraí!Não me peçam, por favor, que “respeite” isso.Respeito não.
Nem me venham,por gentileza, com a balela de dizer que fé religiosa nesse nível é “apenas um tipo de crença numa verdade diferente”, uma verdade que habita outro domínio. Não compro isso. Nisso, só há um lado certo- o da ciência;o outro lado está errado mesmo.
Agora leio que o debate criacionista parece estar chegando ao Brasil. Será válido ensinar “criacionismo” nas escolas como uma “teoria alternativa” à da evolução?
Adivinha o que eu penso...

10/12/2008

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Levitt enfatiza muito o aumento do número de policias em NY como causa da queda da criminalidade.

Em dez anos (1990-2000) o número de homicídios caiu 74% em NY. Mais do que a média nacional. Levitt diz:
- “.. o número de policiais em NY aumentou 45%, mais de três vezes a média nacional. E há evidência incontestável de que aumento do número de policiais leva à redução do crime. Se você descontar o aumento de policiais, a queda da criminalidade em NY fica abaixo da média nacional”.
-
“Ok”, digo eu, “mas repare: a polícia de NY antes de Giuliani/Bratton era corrupta, acomodada, desmotivada, mal paga, mal gerenciada, e burocrática; será que aumentar maciçamente o número de policiais num sistema corrupto, acomodado, desmotivado, mal pago, mal gerenciado, e burocrático resolve o problema da segurança de forma consistente? Muito, muito, muito, improvável. Com o tempo, os novos policiais seriam contaminados pelas mesmas pragas que vitimaram os antigos.O que houve de decisivo não pode ter sido simples aumento do número de policiais”.

Uma analogia: todos sabem que há uma correlação importante entre educação e desenvolvimento econômico. Mas isso quer dizer que o sucesso se define pelo número de escolas, ou mesmo de professores? Não. O fator crítico para o sucesso é o sistema de gestão dos recursos, não o “recurso” em si. Mais escolas e mais professores, não significam necessariamente mais desenvolvimento. São condições necessárias, mas não suficientes. Idem para o número de policiais nas ruas.

09/12/2008

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Por que Steven Levitt não pode estar certo quanto à queda da crminalidade em NY

Primeiro argumento: sem gestão o resultado não se sustenta.
-Quando você vê algo de bom acontecendo a um país, a uma empresa, a uma organização qualquer-com ou sem fins lucrativos- e acontecendo por longos períodos, pode jurar: há um conjunto de medidas que foram tomadas para isso. A origem do sucesso pode até ter sido fortuita, mas sua sustentação nunca é.
Ações de uma empresa em bolsa, por exemplo-uma das informações que o mercado considera é: a gestão é sólida? Se for, as perspectivas de ganhos são maiores. Processos gerenciais mais sólidos significam simplesmente maneiras mais consistentes de se fazerem as coisas, ou seja: sustentabilidade mais provável.
Isso vale para países também:”risco país” e outros índices,refletem exatamente a percepção que se tem sobre a qualidade da gestão do país.
Só o que aumenta espontaneamente numa organização, diz Peter Drucker, é o desperdício e a ineficiência. Um país pode ter abundantes recursos naturais (petróleo, minério..) mas sem gestão não fará uso dessas coisas de modo a gerar desenvolvimento consistente. Nada de bom se sustenta por inércia. Ao enfatizar a liberação do aborto como causa de fundo da redução da criminalidade, Levitt está provavelmente certo. Ao não anotar que essa causa não produziria efeitos sustentáveis sem gestão, ele induz o leitor a acreditar que “basta legalizar o aborto”. Erro grave. A legalização deflagrou um processo positivo, mas foi a gestão que o sustentou.
+++++++
continua no próximo post.Onde estão as evidências?

08/12/2008

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Eis o vídeo em que comento a coluna


06/12/2008

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