Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Duas opiniões excelentes no GLOBO desta quinta feira 15.11.2007—não deixem de ler.

Na página 7 do primeiro caderno de O Globo hoje, Carlos Alberto Sardenbeg dá um pau firme (e muito merecido) numa prova do ENADE, formulada pelo MEC. Ele vai direto ao ponto: ”se o universitário concorda com a idéia de que a história e a sociedade se movem e se explicam, pelo conflito de classes entre capital e trabalho, então deve ter tirado dez”. A prova ,como ele mostra ,é direcionada para que as resposta certas sejam as de cunho ,digamos, esquerdista. Isso é um escândalo, pessoal ! Ideologia não pode substituir fatos,e o fato (para nós,interessados em inovação) é o seguinte:marxismo/socialismo não produz riqueza.Impede a inovação por desestimular o espírito empreendedor.O resto é conversa mole.
Na mesma página Demétrio Magnoli, ataca,com muita propriedade, a bobajada incrível (para não dizer burrice incrível) que é essa coisa de dividir oficialmente o Brasil em "brancos e negros". Nasci no dia 20 de novembro (aniversário de Zumbi, me informam), sou negro, e tenho um interesse- como direi? -epidérmico, nessa questão; mas não contem comigo para promover besteiras. Para mim, preto que se preza não aceita cota. Preto que se preza não choraminga nem “reivindica” com base em “brancos e negros”. Preto que se preza não usa camisetas em que se lê “100% negro”, pois isso,como diz Magnoli,legitimaria o surgimento de camisetas “100% branco”.Pode parecer uma orgulhosa afirmação de identidade,mas é apenas manifestação de rebeldia pouco informada e pouco inteligente.
Preto que se preza,estuda,compete e produz. Se há evidência de que algum negro está impedido de crescer socialmente POR SER NEGRO (e, portanto, está impedido de estudar,competir e produzir POR SER NEGRO), contem comigo para denunciar e agir contra isso. Mas estou longe de estar convencido de que haja essa evidência.

15/11/2007

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Apple-a maior oportunidade perdida de todos os tempos. Será que vai dar para recuperar?

Certas dinâmicas de mercado são previsíveis. Vejam o que escrevi na coluna da Época Negócios, logo após o lançamento do iPhone, em junho passado:

O que vai acontecer com o iPhone? Trata-se de uma inovação “mais do mesmo”- um celular melhor e (muito) mais caro do que os que já existem. Deve ter uma margem (quase pornográfica) de uns 50% .Os concorrentes estarão motivadíssimos a lutar. Nokia, Samsung, Motorola, Palm,virão com tudo,pode esperar.Produtos novos com interfaces reprojetadas e preços menores. O iPhone será um produto de nicho. 1% do mercado mundial estará excelente. Uma espécie de Porsche dos celulares”.

Agora,três meses depois leio o seguinte na Business Week :
The iPhone Legacy: Pricier Smartphones?Apple's cell phone has shaken up the wireless industry, which is racing to catch up—with new features and higher price tags”.
(O Legado do iPhone: celulares mais caros? O telefone celular da Apple sacudiu a indústria wireless, que está correndo para tirar o atraso, introduzindo aparelhos novas características e preços maiores).
O artigo da Business Week fala como as grandonas, Nokia, Motorola, Samsung... Estão agindo para não deixar barato. Exatamente como eu previ.
A Apple - considerada a mais inovadora empresa do mundo- é uma empresa (relativamente) pequena- uma empresa de nicho. Não era isso que Steve Jobs pretendia quando a criou em fins dos anos 70. Foi ele quem inventou o conceito de computador pessoal como produto de massa (exatamente como Henry Ford fez com o conceito de automóvel e George Eastman fez com o conceito de fotografia ).Ser identificado como “o cara” em computação pessoal, era o que Jobs queria.Ele teve a chance histórica de chegar lá,mas perdeu para Bill Gates. Numa entrevista à revista Wired, em 1996 com uma mágoa visível, Steve Jobs (que fora demitido da Apple anos antes), dizia: “Microsoft dominates with very little innovation. That's over. Apple lost".
Isso foi pouco antes de retornar à Apple como CEO, e lançar uma sucessão de produtos que tiraram a empresa do vermelho, e a posicionaram como a mais inovadora do mundo: iMac, iPod, iPhone e vem mais por aí. A empresa tirou o “Computers” de seu nome; agora é só “Apple”. Um sinal de que vai alargar seu campo de atuação para “produtos de alta tecnologia para mercados de massa”. O caso Jobs X Bill Gates merece uma análise psicanalítica .É Shakespeareano. O cara (Jobs) parece não ter desitido de ser o rei. O market share dos Macintoshes-(os PCs da Apple)- aumentou para uns 4% depois do iPod, e parece que continua aumentando (dizem que é o tal efeito “halo” :usuários que nunca tinham usado Macs, ficam tentados a experimentar, depois de seduzidos pelas maravilhas do iPod). O “halo” do iPod se transfere para o Mac,dizem. A pergunta que não se cala é:será que nessa escalada de inovação galopante, que já dura dez anos, a Apple pode continuar crescendo, continuar a aumentar o market-share, e chegar a ameaçar o domínio do Windows? Lembre-se:os PCs Windows têm mas de 95% do mercado, os Macintoshes Apple, menos de 5%.
Essa história Apple X Microsoft, é sensacional. Quando a briga ainda estava indefinida- lá pelo final dos anos 80-Bill Gates tomou uma decisão que depois ser revelou certa, e o posicionou como rei do mundo digital. Steve Jobs, à mesma época, tomou uma decisão que depois se revelou errada. É isso mesmo. Depois que acontece, a gente celebra a genialidade dos que acertaram, mas eles não tinham a menor idéia do que estavam fazendo. Vou contar. Aguardem.

15/11/2007

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O que é o tal efeito Wal Mart que Michael Porter diz ser a solução para os problemas de qualidade e custo da assistência médica

Em minha matéria “Por que o Brasil é ruim de Inovação”, na Época Negócios de outubro, eu expliquei (citando um estudo de Eric Beinhocker,da McKinsey):

”No final dos anos 90, começou-se a notar um rápido aumento na produtividade da economia americana. No início, pensou-se que a origem eram as tecnologias físicas. Houvera um grande investimento em TI nas décadas anteriores. A Mckinsey, porém, concluiu outra coisa-a causa real do aumento de produtividade foram mudanças na forma pela qual as empresas se organizavam e gerenciavam, ou seja, inovações em tecnologias sociais. Eles estudaram vários setores de economia e, em particular, o varejo, onde investigaram o efeito das práticas do Wal Mart. Inovações em formatos de negócio (com lojas enormes), somadas á sua eficiência logística, tornaram o Wal Mart 40% mais produtivo que seus concorrentes. Isso os foçou a imitar as inovações organizacionais do Wal Mart, e sua produtividade aumentou em 28% .Enquanto isso, o Wal Mart continuava a inovar, aumentando a sua em mais 22%. Essa corrida “armamentista” no varejo, representou quase um quarto do aumento total da produtividade dos EUA no mesmo período. Inovações em outros setores da economia deram conta de praticamente todo o restante do crescimento americano.”




13/11/2007

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Assistência Médica tem que se inspirar no Wal Mart, na Dell, no McDonalds,na Toyota ...Quem diz não sou eu, é Michael Porter

Bem, Porter não usa o termo, mas é exatamente essa a idéia que defende. Os economistas nos ensinam que quando um mercado funciona direito, a competição faz os preços caírem e a qualidade melhorar. Exemplo: há alguns anos um DVD player custava uns 1000 dólares, hoje você encontra um (melhor) por 50 dólares. Chamam isso de "efeito Wal Mart": grandes varejistas usam seu poder de barganha para forçar os fornecedores a entregar mais por menos e repassam parte da economia para o consumidor. Não existe efeito Wal Mart em saúde porque esse mercado funciona “torto”. A “culpa” não é de ninguém em particular, é do emaranhado de conflitos de interesse e incentivos errados que produzem um acúmulo enorme de anomalias perversas no setor. Se quisesse mesmo proteger o consumidor, a ANS e órgãos governamentais (incluindo o ministério da saúde) deveriam atuar como indutores do funcionamento correto do mercado, não ficar arbitrando preços e sinalizando “culpados” à execração pública.
-Veja só: o que faz o preço do DVD player cair é um consumidor que paga por ele do seu próprio bolso. Por isso ele se informa, compara e busca alternativas. A competição para conquistar esse comprador derruba o preço. Como em saúde quem paga o serviço na ponta não é quem o consome (é seu plano de saúde, ou o governo, ou sua empresa) - não há motivação para que o consumidor seja criterioso na escolha. A demanda dispara e os custos aumentam (até pelo volume do uso). Todos querem "o melhor" e exigem cada vez mais esse "melhor". Só que não há critério racional para identificar o tal "melhor" pois não se mede performance dos fornecedores de assistência médica. Como descobrir quem realiza melhor e mais barato o procedimento médico que eu necessito para o meu estado de saúde particular? Quais os níveis de qualidade do hospital X? Qual o índice de sucesso do tratamento da condição Y segundo a linha terapêutica Z? O que é, afinal, qualidade em medicina e quem entrega essa qualidade? Essa informação não existe e deveria existir. É um escândalo que não exista!
A tese de Michael Porter é centrada nessa idéia:só a competição com base em valor (qualidade com custo baixo,como no varejo), pode forçar uma queda nos custos da assistência médica sem perda de qualidade.

13/11/2007

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Minha coluna na Época Negócios (2) — Vinhos. Quem precisa de especialistas para prever a qualidade deles?

O livro Supercrunchers - do qual trato na coluna deste mês - começa com um caso delicioso: um sujeito chamado Orley Ashenfelter descobriu uma maneira de prever a qualidade de vinhos Bordeuax, processando dados. Nada daquele negócio de “bochechar e cuspir”, que é marca registrada dos experts. Como ele fez? Cito do livro, traduzindo livremente: “Orley usou estatística. O vinho é um produto agrícola dramaticamente afetado pelo tempo (weather) de ano para ano. Usando décadas de dados climáticos, Orley descobriu que baixos níveis de chuva na época da colheita e altas temperaturas no verão produzem os melhores vinhos. Processando dados de 1952 até 1980, ele fez o computador produzir uma equação que previa muito bem a qualidade tanto de vinhos tintos Bordeaux como Burgundy. Entrando com os dados na equação, Ashenfelter previa a qualidade de qualquer safra. Modificando a equação um pouco, ele podia fazer isso para mais de 100 Châteaux.”

Uma coisa dessas é importante, porque permite estabelecer uma relação entre o tempo (weather) que tinha feito e o preço pelo qual o vinho seria vendido. Ele descobriu que cada centímetro adicional de chuva fazia o preço subir 0,00117 dólar. O que isso mudava no jogo até então estabelecido? Ashenfelter podia prever a qualidade do vinho assim que a uva era colhida - meses antes do primeiro teste, direto do barril, e anos antes de o vinho ser vendido. Imagina o que aconteceu: os experts vieram para cima agressivamente: “trata-se de uma fórmula evidentemente tola, que ninguém deve respeitar”. Ashenfelter chegou a ser vaiado numa apresentação. O mais influente dos especialistas, um sujeito chamado Robert Parker, chamou-o de “fraude” e disse que seu método era uma maneira “Neanderthal” de olhar para o vinho... Que uma fórmula matemática jamais poderia superar a sensibilidade do expert etc... etc... Seus detratores o viram como um herético. Ele desprezava aquele floreado nonsense - o vinho X é muito “muscular”, o vinho Y é “denso e jovial”, o vinho Z é “robusto e agressivo”...

Os experts perderam (feio), mas não morreram - incorporaram os métodos de Ashenfelter. Não vou contar o desfecho. O livro não deve demorar a sair em português (algum leitor sabe a editora?). É bem na linha Freakonomics e deve fazer um sucesso análogo.

12/11/2007

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Eric Clapton, Tim Maia e a autodestruição consciente

Acabei de ler a biografia de Eric Clapton (guitarrista de primeira, de quem sempre gostei- editora Planeta 2007). A sensibilidade do cara quando está desempenhando seu ofício salta aos olhos. Vou ler a de Tim Maia, que Nelson Mota escreveu e acaba de sair. Os temas centrais são os mesmos- artistas geniais que optam por se auto-destruir. Gênios perturbados, inconseqüentes, capazes das maiores barbaridades.
Por que pessoas obviamente talentosa se auto-destroem? Por que empresas bacanas escolhem caminhos sem volta? A Época Negócios está preparando uma matéria sobre isso e eu vou colaborar. É um grande tema. O acadêmico americano Jared Diamond, autor de “Armas, Germe e Aço”, lançou um livro que se chama ”Colapso- como as sociedades escolhem fracassar ou ter sucesso”. Trata do fim das grandes civilizações através da história, e a perplexidade da coisa é que o caminho para o fim esteve sempre delineado antes. Por que então não alteraram o curso? Um cara como Eric Clapton soube a vida inteira que estava se matando (é um milagre ele ainda estar vivo), e a maior parte do livro é sobre o drama pessoal que essa consciência provocava. No caso de empresas, é mais grotesco: seus dirigentes, em geral, não têm consciência das barbaridades que estão fazendo. Não têm e, como vou mostrar, não querem ter!Optam por não ter. Os artistas são mais humildes.
No mundo da gestão, o comportamental é mais importante que o técnico. Empresas, a partir de certo tamanho, têm incentivos enormes para não mudar. Inovar não é natural.
Meu mentor em inovação - o professor Clayton Christensem da Universidade de Harvard-identificou isso muito bem. A incapacidade para mudar é estrutural,está ancorada em viéses humanos que só os CEOs mais inteligentes admitem e tentam contornar.Grandes artistas auto-destrutivos sabem que são assim. Grandes empresas não sabem porque preferem não saber.

12/11/2007

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LEIA ABAIXO
---Gestão baseada em evidência
---O problema com os experts
---Não é o universo te mandando uma saudação..
---Michael Porter no Brasil
---O fim do expert? (minha coluna este mês)

Leia mais tarde nesta segunda 12/11/2007
---Eric Clapton, Tim Maia e atitudes autodestrutivas (de pessoas e empresas)
---Quem precisa de especialista para prever qualidade de safras de vinhos?

12/11/2007

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Gestão baseada em evidência - essa é a minha praia
O leitor já notou. Sou francamente, declaradamente, assumidamente a favor do que funciona em gestão. Evidência. Não dou muito valor a experts (adoro ridicularizá-los quando posso) pelas razões que você conhece: são (geralmente) arrogantes e confiam demais na qualidade de seu próprio conhecimento - uma coisa risível. Teorias grandiosas me interessam pouco - elas geralmente estão erradas. Ideologias me interessam menos ainda. Experts tentaram nos convencer da excelência da Enron (exemplo:Gary Hamel), obrigando-nos a estudar este genial caso, até que se constatou que a Enron era uma fraude, um caso de polícia. Não lembro de ter visto nenhum especialista pedir desculpas pelo “diagnóstico errado” (incluindo universidades e consultorias famosas. Sim, incluindo as McKinseys da vida). Não vou nem falar do fiasco de Tom Peters, que fez seu nome no mundo empresarial identificando “empresas excelentes” que, supostamente, teriam verdades universais a nos ensinar. Não preciso lembrar o que aconteceu com a (grande) maioria delas (a pesquisa de Peters é do início dos anos 80).
Os CEOs “masters do universo” - tipos sempre presentes na mídia -, que acham que podem nos ensinar tudo (porque deram certo, "chegaram lá" e ficaram ricos), são tipos particularmente ridicularizáveis. O mundo da gestão é muito mais cheio de “experts vazios” do que outros campos profissionais (muito, muito mais). Nassim Taleb os chama de “ternos sem nada dentro” (empty suits). Isso nos garante diversão permanente neste blog, pois sempre haverá alguém para você puxar o pé (este blog está sendo uma terapia para mim. Acho que será cada vez mais..)

11/11/2007

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É difícil fazer as pessoas entenderem uma coisa, quando seu salário depende do não entendimento dessa coisa.

Experts sentindo-se ameaçados não são novidade. Depois de 2000 anos, uma abordagem da pratica médica chamada medicina com base em evidência começa finalmente a vingar. Lembre-se:antes de se saber que bactérias causavam doenças, os doutores rejeitavam a prática de lavar as mãos, porque isso NÃO FAZIA SENTIDO para eles.Isso, apesar da EVIDÊNCIA de um substancial decréscimo nas mortes em hospitais . Ignaz Semmelweis,o médico do século XIX que promoveu agressivamente a idéia (de que médicos deveriam lavar as mãos),não foi reconhecido até décadas depois da sua morte.O expert é corporativista.Não ameace o expert.Cito Nassim Taleb (um autor que descobri recentemente ao qual voltarei muito neste blog)-“De forma semelhante,pode não fazer sentido que acupuntura funcione,mas ,se espetar um agulha no dedão de alguém, produz sistematicamente redução da dor (em testes empíricos conduzidos de forma apropriada),então, pode ser que haja coisas atuando mais complicadas do que podemos entender.Vamos em frente por enquanto, mantendo a mente aberta”.

11/11/2007

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Não é o universo te mandando uma saudação
Uma amiga lá de Israel me mandou a curiosa imagem abaixo (estou tentando aprender a inserir imagens neste blog...)

11/11/2007

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Michael Porter no Brasil- assistência médica tem remédio?

O guru (arghhh) supremo da estratégia empresarial está no Brasil falando sobre seu último livro “Repensando a saúde”. Li o livro -uma maçaroca de mais de 500 páginas em letra miúda - e fico me perguntando:será que o pessoal que esteve com ele captou a mensagem (argghh de novo), ou foi só showbussiness? .Sabe como é né? Aquele rapapé todo, tradutores, jornalistas, fotógrafos,almoços, puxa-sacos etc.. Ninguém ligando a mínima para o que o cara teria a transmitir (eu sei como é, já participei muito disso e ainda participo às vezes).
E conteúdo Porter tem. Ele é extremamente crítico com a área da saúde. Você reparou como em assistência médica praticamente não se inova? Em varejo se inova, em telecom, em petróleo e gás, mineração, bancos, computadores....Agora me diz uma inovação em assistência médica. A medicina avança, mas a assistência médica não. Porter nos informa que leva em média 17 anos para que os resultados de testes médicos se transformem em prática clínica. Nas palavras dele:”onde há competição saudável, os custos diminuem porque há um esforço permanente para a melhoria de processo e métodos. A qualidade de produtos e serviços melhora continuamente. A inovação leva a novas abordagens que se difundem rapidamente. Quem não é competitivo ou se reestrutura rapidamente ou quebra. Essa é a trajetória de todas as indústrias que funcionam bem, mas não em assistência médica..”. Aqui os custos sobem e o serviço piora.O que Porter propõe para a área da saúde é o efeito Wal Mart que existe no varejo (veja meu artigo:”Por que o Brasil é ruim de inovação” na Época Negócios de Outubro). Todo mundo deve ter aplaudido Michael Porter. Estarão dispostos a fazer o que ele propõe?

07/11/2007

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Minha coluna na Época Negócios de novembro (I)

Meu comentário sobre o livro "Supercrunchers” na coluna deste mês, está tendo repercussões (leiam a coluna, leiam o livro): ninguém está dizendo que os números são mais precisos que “as pessoas”; ou que o especialista perde para o computador em todas as circunstâncias. Julgamento subjetivo sempre será essencial quando não há dados suficientes para que se possa chegar a uma solução,digamos, impessoal. Mas estamos na era da informação minha gente! Há (em muitos domínios, não todos) dados em abundância que podem ser processados de modo mais preciso por máquinas do que por gente. A essência da reação vem da hiperglorificação do “especialista”,que é absurda e contraproducente. Humanos, by desgin, têm capacidade limitada para registrar padrões sofisticados. Não fomos projetados para isso e, por isso, tendemos a simplificar. Tendemos a encaixar fatos em narrativas que construímos para dar conta da complexidade do mundo. Somos superficiais por construção. Isso não é “não gostar de gente”, é reconhecer o que somos : superficiais e cheios de viéses. Independe de inteligência, preparo, caráter, experiência ou formação acadêmica. Imagine a seguinte situação: algum conhecido seu aparece com uma doença séria. Especialistas são consultados e cada um sugere um caminho.Em qual deles você deve acreditar? Todos são competentes, sérios, experientes etc..Mas fazem recomendações diferentes.Isso não é nada incomum, como sabe qualquer pessoas que já lidou com situações médicas complexas. Aqui, as chances seriam de que um processador automático tivesse mais sucesso. Sim,um computador (por que não?!),que varresse um banco de dados com registros de (muitos,muitos) casos análogos, comparasse diferentes abordagens e terapêuticas para o tratamento, e apresentasse a melhor correlação entre as variáveis envolvidas na cura. Não sei quanto a vocês, mas eu saberia perfeitamente o que escolher se fosse alguém próximo a mim.Volto ao tema em seguida.Tem tudo a ver com gestão da inovação.


07/11/2007

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