Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Por que BLINK é “quase” ruim? (I)

-Por que glorifica a intuição do expert, e induz a (falsa) conclusão de que “nada substitui a intuição no processo de decidir”. Isso está errado. Para ser justo, essa não é exatamente a “proposta” (arghh..) do livro, mas é assim que ele é lido. Muita gente já me escreveu dizendo coisas assim: “como o livro BLINK mostra, a maneira certa de decidir é por intuição....”. O livro não diz isso, mas abre as portas para essa (falsa) interpretação. Um perigo.
O que o livro mostra é que em CERTAS CIRCUNSTÂNCIAS, experts, com anos de treinamento, podem desenvolver a habilidade de fazer previsões quase que por reflexo, sem pensar, e sem saber explicar por que. Um terapeuta de casais, apenas observando minúcias aparentemente sem significado do diálogo de um casal (apaixonado), pode prever com muita precisão se o casamento vai durar ou não. Um especialista em arte pode dizer se um quadro, aparentemente legítimo, é falsificação ou não. Apenas por intuição - porque algo (que ele não sabe explicar) faz com que o quadro “não pareça ok”. Feeling puro. Numa fração de segundo (Blink!) o cara decreta: é falso!

O livro é muito bem escrito, gostosos de ler. Não é professoral e não tem a pretensão de propor nenhuma nova teoria da cognição. Merece ser lido (com as ressalvas que fiz), mas não salte para a conclusão de que “intuição é melhor do que números”. Não é isso o que o livro diz. Pessoalmente,penso o contrário.Em negócios ,não confie em intuição.Nesse domínio, intuição,invariavelmente, nos leva para onde não queremos :para o cemitério. Por favor não me venha com Steve Jobs, ou Bill Gates, nem com nenhum desses masters do universo corporativo.Eles são exceção, pelo amor de Deus! Podem ter dado certo por puro acaso (sorte), não por mérito.Não estou dizendo que o sucesso deles (ou de qualquer outro) foi sorte,estou dizendo que PODE ter sido sorte.

Aliás, sobre Bill Gates, o mito da clarividência é particularmente falso. Ele não tinha a menor idéia de que o Windows se tornaria o sistema vencedor (não podia ter, claro!) e adotou uma estratégia totalmente “não Blink” no seu lançamento (terça ou quarta feira desta semana conto essa historinha aqui no blog).

A armadilha de Blink, é não alertar que, para cada caso de intuição certa, há incontáveis casos de fracasso retumbante. Só ouvimos falar do que dá certo e não olhamos o cemitério das falsas intuições, que é muito mais vasto, muito mais populado. Esse viés de nos apegarmos ao excepcional, ao fora da regra, para construir mandamentos gerais, é um enorme perigo. Na verdade,é uma fraude. Tecnicamente, chamam isso de “viés do sobrevivente”-preferimos tentar nos inspirar nos pouquíssimos que deram certo na base da intuição, no que na multidão no cemitério.
Em parte, o culpado disso é Paulo Coelho (veja próximo post).

25/11/2007

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A demolição definitiva de QUEM SOMOS NÓS?

Eu andava pensando em escrever sobre o filme (esculhambando, claro), mas encontrei alguém que fez o serviço muito melhor do que eu seria capaz. Não conheço o cara ,mas recomendo o site no qual ele colabora-(clique na coluna da direita em “Ciência e pensamento Crítico”).
Widson Porto Reis analisou QUEM SOMOS NÓS? praticamente quadro a quadro. No fim, não sobrou nada do filme. Ele começa assim:

“ É um trabalho chato mas alguém tem que fazê-lo. Depois de ver o documentário “What the Bleep do We Know” sendo citado seriamente em rodas acadêmicas e vazando para além do circuito nova-era até chegar às aulas das universidades sem que nenhum cientista sério desse país reagisse, decidi fazer alguma coisa: arregacei as mangas, preparei o espírito para 90 minutos do mais terrível besteirol esotérico que um homem deveria se obrigado a suportar, e comecei a escrever o “O Guia Cético para Assistir ‘What The Bleep do We Know’”.
Este guia será composto de duas ou três partes, e talvez duas versões: uma mais descolada, que será postada nesse blog, e uma mais séria com um pouco mais de embasamento científico, que será publicada posteriormente no Projeto Ockham.
Traduzindo literalmente, “What a Bleep do We Know” ficaria algo como “Que raios nós sabemos?” embora o “bleep” seja uma onopatopéia para os irritantes bips que os pudicos americanos usam para soterrar palavrões de 4 letras muito mais pesados do que “raios”. Por isso os distribuidores brasileiros, que sempre se acham capazes de melhorar o título original de um filme ficaram com o título "Quem Somos Nós?". Pelo menos nos livraram de ver o filme se chamar "Um Físico Muito Louco" ou "A Física Quântica do Barulho", o que pensando bem, talvez fosse mais apropriado neste caso”.


Leia as três partes da análise completa de Widson Porto Reis.
1° parte

2ª parte

3º parte

23/11/2007

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Ok, ok,tenho de me explicar sobre meu “EMPRESA QUÂNTICA”


Eu já esperava. Leitores me cobram por ter escrito um livro cujo título fala em EMPRESA QUÂNTICA.Naturalmente não leram o livro,pois no prefácio da segunda edição eu expliquei diretinho do que se tratava, e por que meu livro não tinha nada a ver com o besteirol “quântico” que assola o mundo. Num trecho eu dizia:
“.. tive minha cota de problemas por causa do título.É que há muito lixo, muita embromação, com essas coisas "quânticas", e houve quem desconfiasse ..bem, desconfiasse que eu era mais um. A verdade é que física quântica não pode ser usada para interpretar nada no mundo do dia a dia...A física quântica é desconcertante mas não é mágica. Ela é intrigante sim, mas nada nos autoriza a extrapolar o que ela é, e ficar querendo descobrir conotações ocultas e significados “profundos” a partir de suas verdades”.
Leia (
Empresa quantica.doc) a explicação completa de por que usei “EMPRESA QUÂNTICA” no título, e de que trata o livro.
Dica: é um título muito marketeiro.
Próximo post: o desmonte total de QUEM SOMOS NÓS



22/11/2007

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QUEM SOMOS NÓS- o filme (I)
Quem tenta entender ou explicar a Física Quântica,sempre quebra a cara


Há um filme circulando por aí (no mercado paralelo, acho; como “Tropa de Elite” antes de entrar no circuito comercial). Chama-se QUEM SOMOS NÓS. Eu vi há meses, depois que a quarta ou quinta empresa me convidou para comentá-lo para seus funcionários. É que eu sou físico e, um dia (há 11 anos), escrevi um livro chamado EM BUSCA DA EMPRESA QUÂNTICA. Alguns “sensíveis” gestores de RH queriam que eu explicasse a proposta do filme: desvendar a vida (quem somos nós?) do ponto de vista da Física Quântica. Após o primeiro convite (recusado) pensei:“é empulhação”. Depois do quarto ou quinto, resolvi ver o filme. É a maior empulhação de todos os tempos. Não me convidem de novo, por favor. Não garanto uma recusa educada como antes.

Os físicos são treinados para usar a FQ, mas não sabem o que ela significa. Ninguém -nem os físicos que a criaram, entendem a física quântica. Só sabem usá-la.Um dos mais respeitáveis deles ,Richard Feynman disse. ”Se você acha que entende a física quântica, é porque não entende a física quântica”.
Essa é a questão. O animal humano não sabe viver sem histórias, e quando elas não existem, inventa uma.
Não há nenhuma história, nem épica, nem heróica,nem extra-sensorial, nem mística,nem alternativa, a respeito da FQ.Nada. Ela nem é uma teoria, na verdade- é uma moldura matemática ( totalmente sem correspondência com nada do que conhecemos e temos como referência na vida do dia-a-dia).
O fascínio que o “quântico” exerce é simples de explicar: não aceitamos conviver com uma coisa, usar essa coisa, produzir resultados úteis e concretos usando-a, sem contar histórias nem desenvolver teorias grandiosas sobre ela. Como apenas usar a ferramenta não basta, inventamos histórias ridículas porque não podemos ficar sem explicações. É isso que o (pateticamente ruim) filme QUEM SOMOS NÓS faz. E lá vem o de sempre: o “expert” cheio de autoridade, o místico ultra-requentado (hindu, claro); o artista “marginal”, o médico new-age , o psicólogo “alternativo” etc...-nos servir a sopa que prepararam usando o tempero “quântico”. Intragável.
(continua)

21/11/2007

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Riqueza e corrupção- quanto mais um, menos o outro

Vocês se lembram da tese central de meu artigo PORQUE O BRASIL É RUIM DE INOVAÇÃO (Época Negócios de outubro): o grau de inovação de um país está ligado à qualidade das tecnologias sociais desse país. Tecnologias sociais são, fundamentalmente, as instituições que garantem o cumprimento da regra da lei (rule of law) do país. Garantem que a melhor opção para todos é apostar na reciprocidade; vale a pena confiar que cada um receberá proporcionalmente ao que dá. Uma evidência boa da qualidade das instituições é o nível de corrupção do país.
Vejam o que encontrei.
Um estudo de um especialista sueco produziu o gráfico abaixo. No eixo horizontal, a riqueza do país (PIB per capita), no eixo vertical, seu índice de corrupção-quanto maior esse índice, mais corrupto é o país. O Brasil não aparece explicitamente (os argentinos,sim). Os dados são de 1995.
Teste para vocês: qual das bolinhas do gráfico representa o Brasil?



19/11/2007

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John Sculley (ex CEO da Pepsi Cola e da Apple) tem uma história interessante, que deveríamos conhecer

Conheci Sculley nos início dos anos 90,quando ele tinha acabado de ser demitido da Apple. Aproveitei para pedir um comentário dele sobre meu primeiro livro-EM BUSCA DA EMPRESA QUÂNTICA- e ele não se fez de rogado,mandou o seguinte:
-"Clemente Nobrega usou sua experiência como físico e como executivo de marketing muito bem sucedido para transpor para o campo dos negócios as lições aprendidas no domínio da ciência....... Este livro é uma ferramenta valiosa para os executivos responsáveis pelas decisões estratégicas mais importantes de suas empresas"
Espere um pouquinho que breve vou comentar essas bobajadas quânticas que nos assolam hoje (meu livro não é uma delas;o filme QUEM SOMOS NÓS-é uma delas).
Abaixo eu com Sculley (eu sou o da esquerda,he he).
Falo de Sculley no post a seguir.


18/11/2007

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Será que Steve Jobs é mesmo “o cara” hoje?
(os freqüentadores de meu site já conhecem o texto abaixo)

Steve Jobs, por ter inventado o PC, um dia sonhou ser o rei do mundo digital; depois achou que perdera para Bill Gates, e agora está no páreo de novo. Criador da interface gráfica que usamos em nossos PCs (o Windows é cópia deslavada e piorada do que ele criou), lançador do Macintosh, do computador Next, da Pixar Films, do iMac, do Ipod ,do iPhone e, agora, maior acionista individual da Disney.A especialidade de Jobs são produtos “insanamente geniais” -insanelly great como ele gosta de dizer.Nisso ninguém o supera. Seu retorno à Apple é a maior volta por cima que se tem notícia na história dos negócios.
Jobs só funciona no contexto de culturas empresariais altamente criativas. Na sua “primeira vida” na Apple, antes da expulsão, ele trouxe para a empresa um executivo bom de marketing de consumo (Jobs não é bom nisso, seu forte é produto genial, não minúcias relativas à distribuição, preço, propaganda etc..). Esse executivo, John Sculley (ex CEO da Pepsi), me contou pessoalmente que teve de tirar Jobs de lá, porque com ele palpitando em tudo, a Apple nunca teria disciplina gerencial para crescer. Seria eternamente o brinquedo de um bando de colegiais. Poucas vezes um figurão do mundo dos negócios me deixou uma impressão pessoal tão boa quanto John Sculley. Ele tinha uma visão clara das tendências do mercado. Acreditava que os assistentes digitais pessoais (PDAs ou “palm tops”) viriam para ficar, e apostou tudo no primeiro deles a entrar no mercado- o Newton da Apple. Sabia que para ganhar mercado teria de reduzir os preços dos Macs para uns US$1000, 00 (eles custavam entre US$ 3000,00 e US$4000,00 na época), e sabia também que teria de permitir que outros equipamentos não Apple, usassem o sistema operacional do MacIntosh- como fazem com o Windows. Sculley estava certo nas três coisas, mas a cultura da Apple é tão forte que ele não conseguiu agir. O Newton fracassou, e a Apple tirou Sculley que tirara Jobs. Foi substituído por um tal de Michael Spindler-um cara bom de execução (já reparou como todo mundo hoje badala execução como a “coisa certa” a fazer? Besteira, a coisa certa depende das circunstâncias da empresa).
Bem, nada feito com o ferrabrás da operação. A trajetória rumo ao abismo prosseguiu e o grande executor foi executado. Trouxeram então, de fora, um especialista em turnarounds (viradas) de empresas -Gil Amelio- que tinha feito um ótimo trabalho de recuperação na National Semiconductor. Amelio não virou nada e foi chutado: mostraram-lhe a porta da rua depois de dezoito meses.
A Apple estava morrendo. Chamem Jobs de volta! Ele voltou com um salário simbólico de um dólar, como se quisesse dizer: “voltei por amor, não por dinheiro. Já sou milionário com os filmes que fiz na Pixar”. Jobs não tentou mudar a alma da empresa que criara (esqueça disciplina gerencial, custos, operações..) “vamos por o foco no que esta empresa sabe fazer bem”, ele disse. Produtos “insanelly great”, claro. Cultura empresarial conta demais, leitor.
Em 2000, três anos depois, lá estava ele na capa da Fortune. A chamada era uma saudação: - “Stevie Wonder! -seu iMac salvou a Apple”.Era só o começo.No ano seguinte veio o iPod. O market share dos MacIntoshes dobrou de lá para cá (o tal “efeito halo”). As ações da Apple disparam, os acionistas deliram. Metade da receita da empresa hoje vem do iPod -que não existia até 2001.Tem 70% do mercado de tocadores MP3 e margem de lucro de 50%. Um lucro, como eu já disse, quase pornográfico para um bem de consumo de massa. Inovação é isso aí, não é não? Para a Apple é, mas só para a Apple.
PS:
a- John Sculley escreveu um livro em que conta sua saga na Apple.Recomendo fortemente.
“Odisséia-da Pepsi à Apple, uma viagem através da aventura, das idéias e do futuro”-editora Best Seller, 1988.
b- Os alunos de MBA na Universidade de Harvard estudam um caso escrito por Clayton Christensen que recomendo também:
“Reshaping Apple Destiny 1992” case no.9-300-002
PDF disponível por US$6.50 (não ganho comissão) no site da Universidade de Harvard.


18/11/2007

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Breve aqui:

- “BLINK” é um livro fraco,fraquinho,quase ruim.
- “QUEM SOMOS NÓS” é um filme péssimo.Uma droga. Não li o livro de mesmo título, mas também detestei.
Aguardem próximos posts.

17/11/2007

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Minha Coluna na Época Negócios (III)

Para saber mais sobre Orley Ashenfelter- (o cara que descobriu a equação que prevê a qualidade das safras de vinho melhor que os experts)
CLIQUE AQUI, AQUI e AQUI
Para saber mais sobre "SUPERCRUNCHERS" clique AQUI

17/11/2007

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Citação do dia para nós brasileiros refletirmos-(deu no New York Times de hoje)

“ISSO NÃO É UMA DITADURA,É ALGO MAIS COMPLEXO: A TIRANIA DA POPULARIDADE”

Alberto Barrera Tyszka , biógrafo de Hugo Chávez
("This is not a dictatorship but something more complex: the tyranny of popularity.")
LEIA

17/11/2007

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