Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Estou tomando coragem para dizer o que penso...
...dessa onda de “sustentabilidade”, “responsabilidade social”, “empresa verde” “triple bottom line” etc...
Tem alguma coisa esquisita aí.
Fico lembrando de Millor Fernandes:
“Desconfio sempre de todo idealista que lucra com seu ideal... A comunicação moderna trouxe à luz da ribalta, uma nova vedete no mundo do show-business: o profissional da modéstia e da humildade. Lá está ele, voz suave, proposta total de paz, compreensão absoluta para com gregos e troianos, a humildade elevada à sua extrema potência. Lá está ele, o milionário da renúncia, sempre candidato ao título de “um dos dez mais humildes do ano”. Mesmo o mais humilde, o “sacerdote mais santo”, a sua vanglória o arrasta pelo menos a querer ser “o mais humilde do ano”..... Humildes, sim, mas que ninguém duvide disso!”.
Dá-lhe, Millôr!
Me aguardem. Estou quase escrevendo sobre esse negócio de gestão de empresas “pelo bem do planeta”(arghh...).

16/12/2007

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O governo é um deserto gerencial
Meses dessa conversa (chata) de CPMF, o governo perde, e somos confrontados de novo com a “visão gerencial” da turma que nos governa:
"Se a gente quiser melhorar as agências [da Previdência] e dar condições de trabalho, tem que contratar mais gente. Se a gente quiser melhorar o atendimento médico para os doentes, tem que pôr gente”. Isso quem disse foi o Lula,ontem.
Alguém acha que colocar mais gente (ou dinheiro) em sistemas gerencialmente falidos resolve alguma coisa?
Isso é absurdo. Colocar o foco no input é errado, em gestão. O que conta é o output que o sistema produz com as restrições a que está submetido (PORQUE SEMPRE HÁ RESTRIÇÔES. SEMPRE). Foco no input trai incompetência gerencial (o professor não produz porque falta salário. O posto de saúde não atende porque falta médico. O guarda de trânsito não apita porque falta apito... you name it). Toda vez que você ouvir o discurso “tendo recurso resolve” pode desconfiar.
Gestão é organizar com um propósito. O foco num resultado a alcançar é seu ponto de partida; o “organizar para chegar lá” é a segunda vertente da coisa. Gestão é sobre resolver problemas lidando com as restrições impostas pelas circunstâncias (inclusive falta de dinheiro; recursos sempre são escassos, se não fossem, não haveria necessidade de gestão).
Não é diferente do que um criador faz:- artistas criam “soluções” condicionados por limites. Um pequeno “quadrado” de texto do Veríssimo é estimulante (às vezes. Só quando ele não se mete a ser “ideológico”), porque ele é mestre em criar dentro dessa restrição. Um soneto de Shakespeare arrebata, porque ele teve de criá-lo “contra” as restrições da estrutura a que chamamos “soneto”. O conceito just-in-time que consagrou a Toyota, foi a saída para restrições de espaço físico: não havia lugar para estoques nas suas fábricas. No passado, gestão era sobre supervisionar, mas hoje é sobre inovar lidando criativamente com restrições. O governo Lula teria muito a ganhar se entendesse isso.Nós brasileiros,também(veja próximos posts).
(Partes adaptadas do livro de Joan Magretta-“What Management is”)

15/12/2007

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Beleza (ou feiúra) americana
O termo “marketing” é curioso. Como você o traduziria para o português? O verbo “to market” quer dizer o quê? A tradução literal seria “mercadar”, que significaria- “colocar no mercado”,“fazer ser aceito pelo mercado”. Repare que denota um movimento, uma coisa ativa, uma ação deliberada. Em português, dizemos “fazer marketing”.Não tem tradução literal em nenhuma língua (eu acho).Deve ser porque a ação que o verbo define não existia originalmente em outras culturas, só na americana.
É impossível entender a essência do significado de “marketing”, sem considerar a cultura norte-americana. Obviamente, não estou falando do instinto de comprar e vender, que é parte da natureza humana, mas da maneira de organizar, implantar e gerenciar essa atividade. Esse talento (ou pecado),dever ser parte da explicação do poderio deles. Talvez não seja mera coincidência que o país mais rico do mundo seja justamente o que inventou as noções de gestão e de marketing como disciplinas,ou seja:como conhecimentos que podem ser codificados e transmitidos.Não dependem de genialidade de “pessoas fora da média”.

14/12/2007

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Os Masters do Universo -a obsessão do jornalismo de negócios
Os CEOs-celebridade (que Nassim Taleb vive ridicularizando), são um produto relativamente recente do jornalismo. Conseguiram conferir charme a uma atividade que nada tem de sexy (veja post abaixo). Isso começou nos EUA,durante a fase inicial da revolução da informação lá pelo final da década de 70.Os novos milionários (CEOs e empreendedores-celebridades) passaram a freqüentar as capas das revistas, como artistas de cinema ou esportistas famosos. A tietagem começou a correr solta. Todas as revistas de negócios têm que promover celebridades do mundo do (show?) business, se não, não vendem. Vejam esse ridículo (mas típico) exemplo na EXAME de 21.11.2007. Falando do “super CEO” do fundo Carlyle (US$200 bilhões de patrimônio;pose de superman na matéria de capa)-
>>“Na tarde em que falou à revista ,Rubenstein havia acabado de voltar de uma viagem de duas semanas por Marselha, Cairo,Istambul,Zurique,Paris,Dubai,Genebra,Roterdã,Washington,Pequim,Cingapura,Seul,Bombain e Abu Dhabi.No dia seguinte iria à Nova York, e partiria para outra rodada de visitas...ainda acha tempo para ler dez jornais por dia e cinco livros por semana”.
Tá certo que é de jatinho, mas, pô, 14 cidades em 14 dias em tantos continentes?! Ele manda abolir fusos horários enquanto está viajando, ou é tão especial que não liga para essas mundanices? 10 jornais por dia?5 livros por semana? O sujeito é o máximo! Ainda bem que não falaram de suas peripécias na cama. Nos suicidaríamos de inveja.

13/12/2007

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Gestão é uma coisa pragmática e árida.
Gestão tem muito pouco charme.
Pegue gestores celebrados (mestres em obter resultados) como Jack Welch (ou Rudolph Giuliani), e você vai ver como boa parte de seu trabalho é sempre enquadrar pessoas em certas “molduras comportamentais”.
Desculpe, mas já que assumi o politicamente incorreto vou às últimas conseqüências. É "enquadrar" mesmo. Enquadrar no sentido de fazer com que comportamentos e atitudes estejam dentro de um quadro definido (por eles, líderes) que tem de existir para que o resultado desejado aconteça.
-Ferramentas como BSC, Seis Sigma e outras, servem ao mesmo propósito: prover uma moldura para o comportamento e a ação rumo a um objetivo.
Todas essas ferramentas têm um componente “cabeça dura” que garante o lado “execução”.
Mas execução em si tem pouco charme. É disciplina, é rotina, é tentativa e erro, é dar dois passo para frente e um para trás.
Num artigo para EXAME em 1997 eu identificava essa aridez da ação do gestor:
“Talvez lhe tenham dito, naquele curso de ”Introdução à Administração”, que você iria se tornar especialista em analisar, planejar, controlar, motivar. Iria tomar decisões de vida ou morte sobre sofisticadíssimos aspectos estratégicos da sua empresa; essa coisas....
Enganaram você. Pode esquecer.O dia-a-dia do manager (a menos que você se chame Bill Gates) é resolver emergências;apagar incêndios;falar ao telefone;ser interrompido a toda hora ; participar de reuniões burocráticas; submeter-se a rituais empresariais nada excitantes;fazer média com alguém,preencher formulários…. arghh…. Não quero deprimi-lo; mas é isso mesmo .
Sejamos sinceros: o dia-a-dia da administração é uma coisa que lembra as trivialidades cotidianas na ausência completa de colorido. É tão excitante quanto cortar as unhas e usar desodorante. Tão arrebatador quanto conferir o troco no supermercado. Enganaram a gente.
Parece que, para fugir dessa realidade, vivemos correndo atrás de coisas geniais, transformadoras, relampejantes. Messianismos de todos os matizes,de preferência, ouvidos ao vivo dos próprios “messias” que os formularam, que,é claro, por um fee nada modesto, estão sempre disponíveis.
.. Por uma estranha compulsão psicológica,achamos que tem de aparecer anualmente algo que nos traga uma revelação nova ( no sentido bíblico); algo que mude nossas vidas”
.

13/12/2007

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Não me peçam para cantar I”ll survive, por favor
Perguntam-me se faço palestras, e por que os RHs e CEOs de grandes empresas insistem em gurus empulhativos.
Resposta: faço palestras técnicas, não “motivacionais”, pelas razões que já expliquei. As motivacionais são uma mistura de circo,templo evangélico e centro espírita, e eu não tenho vocação para nada disso. O que gosto mesmo é de “desmotivar” pessoas ,no seguinte sentido: ”hei você acha que se sonhar o suficiente vai se tornar um Bill Gates? Esqueça. Não vai. Se você estivesse a caminho de se tornar um Bill Gates, não estaria aqui perdendo seu tempo comigo. Portanto, cara, esqueça Bill Gates e trabalhe para se tornar algo do seu tamanho”. Tipicamente a coisa é assim: convidam-me para fazer palestra num evento que reunirá as lideranças da empresa. Vão lançar uma nova campanha interna e querem todo mundo mobilizado. O mote é, vamos dizer, “liderança pela inovação”, ou algo assim. O presidente quer dar uma sacudida na turma - quer a empresa “mais inovadora” -e os gerentes da cada área serão os responsáveis pelas iniciativas que levarão a isso.
Depois de me inteirar da situação, digo que faço a palestra sim, claro, mas, com jeitinho, explico que não se deve esperar mudanças consistentes apenas por que um novo programa está sendo lançado. Digo que o que produz resultado nas empresas é gestão exercida por líderes no dia-a-dia: transparência nas políticas, clareza na discussão e no estabelecimento das metas (planejamento/orçamento), definição cristalina de responsabilidades, exigência de comprometimento dos gestores com resultados que têm de ser desafiadores, mas também realistas, recompensa para quem chega lá e “punição” para quem não chega... essas coisas.
-Se as regras desse jogo não forem estabelecidas formalmente, e se o jogo em si não é monitorado obsessivamente no dia-a-dia, nada acontecerá.
Ou seja, digo que a intenção de “mudar” é a parte fácil da coisa; o evento para “criar um clima” e marcar o início do programa é ótimo e deve ser feito, mas os resultados não virão sem um processo formal de gestão que não pode ser delegado: tem que ser comandado pelo executivo principal. Gestão é isso.
É fácil definir, por que não fazem?Por preguiça. São raríssimos os líderes que aceitam se comprometer em tempo integral com a coerência que a gestão exige. É por isso que existe tanto cinismo nas organizações. Os supostos líderes falam uma coisa e fazem outra. Eventos motivacionais são tentativas de ”criar um clima” que nos tire fora do ambiente abafado e infeliz do dia-a-dia.
É a preguiça que impede o exercício da liderança. Ser líder implica em um enorme preparo físico. Tirar a roupa,assistir mágica,chorar abraçado a uma árvore, rezar,ou cantar I”ll survive” é mais divertido. Gestão não é divertido.
A frustração por fracassos em programas de inovação/ mudança é muito comum nas empresas: gente resmungando que as coisas não acontecem; um certo cinismo em comentários sobre “mais um programa que vai mudar tudo”; gente dizendo que há anos ouve falar nas tais mudanças e não vê nada implementado; risinhos debochados quando se houve falar de uma nova mentalidade gerencial etc..
As empresas a partir de certo tamanho são espantosamente semelhantes. Com o tempo, aprendi a modular um pouco minhas opiniões, e a identificar os casos em que nem valia a pena tentar argumentar. “Palestra? Claro, se não tiver circo, templo evangélico, nem centro espírita faço sim”. Não é inteligente ficar criando animosidades (e logo como o executivo principal), mas é um dever alertar.
Quem se interessa por gestão tem que ir além de ôba-ôba. Gestor tem que fazer coisas acontecerem.
Gestão é resultado, não esforço, não “clima”, não boas intenções.

12/12/2007

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Daniel Kahneman e Nassim Taleb
A última revista HSM Management traz matérias sobre dois de meus autores preferidos: Daniel Kahneman e Nassim Taleb. Fico contente em vê-los chegando com destaque à grande imprensa de negócios no Brasil, um ano e meio depois de eu ter escrito bastante sobre eles em meu livro “Empresas de sucesso, pessoas infelizes?”. É que a turma daqui tem de esperar saírem comentários na grande imprensa lá de fora, antes de chancelar um autor. Não precisa. Leiam Clemente Nobrega que vocês ganham tempo (He,He).
A propósito- a matéria sobre Kahneman está correta.É mais ou menos o que eu escrevi na Época Negócios este mês(pensando bem,é menos).Agora, a matéria sobre Nassim Taleb,ainda que corretinha,não captura a originalidade de seu pensamento.Tomei conhecimento dele em seu site www.fooledbyrandomness.com. Bati o olho, e gostei.Ele diz:”meu passatempo principal é puxar o pé de figurões que levam muito a sério a qualidade do que acham que sabem”. A opinião dele sobre homens de negócio vitoriosos (masters do universo a seus próprios olhos)- é de desdém absoluto.Não poupa ninguém.Bill Gates,Warren Buffet..Ninguém. Não se trata de um inconformismo bobo, ou vontade de ser do contra. Nassim Taleb mostra que em ambientes com alto conteúdo de risco, ninguém pode afirmar que teve sucesso por seus méritos.Pode ter sido sorte.Acaso puro.Os milionários do mercado financeiro são seu alvo principal, mas sobra para os CEOs-celebridade, também.Ele os chama de empty suits.Ternos vazios.Muita pose,conteúdo zero.
O primeiro livro dele saiu no Brasil com o título “Iludidos pelo Acaso” (acho que é isso;chequem.Estou com preguiça.Em inglês é "Fooled by Randomness") e o segundo- The Black Swann- ainda não saiu por aqui(eu acho)).Li e reli os dois.Excelentes.Nada a ver com a sabedoria convencional em negócios.Nadinha.Vou voltar aos dois aqui neste blog.

11/12/2007

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Motivação de pessoas da maneira certa
Se o papo místico-empulhacional não funciona, o que funcionaria?Ciência.
Talvez seja exagero falar assim. ”Ciência” é um termo mais associado a conquistas do entendimento sobre o mundo “não comportamental”, digamos. Aquele mundo das leis de Newton, das teorias de Einstein, da matéria inerte.... No máximo vai até o genoma. Gente não. Para gente não tem leis de Newton.
Uso o termo “ciência” em contraposição ao “babalaô” empulhacional que nos espreita. É para marcar uma diferença mesmo.
Essa minha “ciência” começa dizendo: não tente “mudar as pessoas”; gerencie as pessoas. O Papa não muda o mundo, porque insiste em mudar as pessoas. Perdeu. Para a “mentalidade gestão”, a maneira de mudar o mundo é a seguinte:
Passo 1: Aceitar que as pessoas são o que são e desistir de mudá-las.
Passo 2: Investir energia e inteligência desenhando sistemas em que “as pessoas" terão incentivos para agir de forma a contribuir para um certo objetivo comum.
É assim que contornamos seus viéses (veja meu artigo na Época Negócios de dezembro de 2007). Não é palestra motivacional, é gestão.
Percebendo que é do seu interesse agir de certa forma, as pessoas o farão.
Não conheço exceção a essa regra.
Entender quais incentivos são eficazes na busca de um certo efeito, é a essência da gestão de pessoas. É a essência da gestão.
Há conhecimentos novos- inspirados pela ciência- que sugerem que podemos gerenciar relações e motivações humanas na empresa com base neles, não baseados em “harmonias cósmicas”, exortações “espirituais”, ou cantando “I’ll survive”. Eu apoiaria essas coisas se elas funcionassem (como ferramentas de gestão), mas não funcionam.
Não me incomoda em nada que você, ou um amigo meu, ou alguém da minha família, opte pelo que achar melhor em sua vida particular, mas, em gestão de empresas não.
Em gestão me incomoda sim.
Mais que isso: atiça-me ao combate, pois em gestão o babalaô é contraproducente. Faz mal. Gestão é resultado, não boa intenção.
Os recursos de uma empresa (tempo, gente, dinheiro) são sempre escassos, não os desperdice.
Uma festinha motivacional aqui e ali, um guruzinho de vez em quando, tudo bem. Mas não passe muito daí.
Seria anti-gestão. Irresponsável, viu?

10/12/2007

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Na revista O GLOBO de hoje: Auto-ajuda nas empresas. Resistam!Resistam!!

Chamada de capa para a matéria: "SEUS PROBLEMAS ACABARAM! - Usando técnicas que vão da auto-ajuda à mágica, palestrantes viram heróis entre empresas que buscam motivação para seus funcionários".

E no corpo da matéria: "Dos dez maiores palestrantes do país, encabeçados pelo sizudo Bernardinho, pelo menos sete medem seu êxito pelas gargalhadas que conseguem arrancar do público".
"Há os que choram, abraçam árvores, rezam, relatam suas histórias de sucesso ou pedem que as pessoas cantem "É preciso saber viver".... "Não é raro fulana (nome da palestrante) fechar uma palestra vestida com pouquíssima roupa e cantando 'I'll survive' com as mãos para o alto"
.

Depois dizem que eu sou radical
.

09/12/2007

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Meu artigo em Época NEGÓCIOS de dezembro
Trata de um grande (e eterno) tema: por que empresas boas fazem tanta bobagem? Lembro-me que quando estive em Harvard para um curso (de verão), em 1994, o melhor professor era um historiador de negócios - Richard Tedlow - que apresentou um workshop sobre esse assunto (“Why bad things happen to good companies”). Muito bom. Esse cara, aliás, é autor de um excelente livro: A História do Marketing de Massa na América. Recomendo enfaticamente. Não sei se tem tradução em português - os editores, por aqui, parecem preferir “líderes servidores”, ”monges e executivos” e outras leituras profundas e sérias. Quem quiser entender uma das razões do sucesso americano deve ler o livro de Tedlow. A idéia de que há uma disciplina para fazer as pessoas comprarem o que você tem para vender é uma coisa americana (não européia, não asiática, americana). É isso que se entende por marketing. Ninguém é melhor nisso que os americanos.
Chega de digressão. Meu artigo complementa a matéria de capa, que é sobre “hábitos autodestrutivos de boas empresas”. Eu trago a coisa aqui para o país tropical, e escrevo sobre grandes débâcles de empresas brasileiras. Finalizo, falando de um cara que considero o mais quente pensador em negócios hoje - Daniel Kahneman, um psicólogo israelense que ganhou o prêmio Nobel de Economia em 2002. Esse sujeito, para mim, matou a charada “gente inteligente-decisões estúpidas”. Leiam na revista ou em meu site
www.clementenobrega.com.br a partir desta sexta, 07/12 (tem podcast comigo, também).

06/12/2007

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Respondendo a meus leitores (II)
Recebi uma longa mensagem de uma leitora lamentando minha “falta de respeito” com Amit Goswami, num post aí em baixo. Ela me lembra que o sujeito é “Ph.D. em física quântica”, ensina em Princeton, é muito conceituado profissionalmente etc. E daí? Suas idéias são estúpidas, assim mesmo.
Einstein era gênio, ensinava em Princeton, era conceituadíssimo, e disse muita besteira sobre assuntos como economia e questões sociais. Apesar daquele ar “espiritual” e daquele jeito de vovô bondoso, maltratava a (primeira) mulher. Parece que até batia nela. As biografias não são explícitas; falam eufemísticamente em “tratamento cruel”. Richard Feynman, um brilhantíssimo físico que também contribuiu muito para o desenvolvimento da FQ, parou de escovar os dentes porque, segundo ele, “não havia comprovação científica de que isso era necessário”. O mau hálito do cara, dizem, ficou insuportável. Seus dentes adquiriram um aspecto repulsivo (é fofoca, mas tenho fontes inatacáveis que atestam isso. Quem quiser, peça que eu dou). Resumo: credenciais acadêmicas não garantem ninguém contra a estupidez, fora de seu estrito campo profissional. Temos a mania de endeusar pessoas, mas a ciência é importante, o cientista não é, entendem? A ciência não depende de personalidades, depende de um processo. O processo da ciência enquadra o cientista, traz o dito cujo no cabresto, eu diria. Cientistas não se tornam mais confiáveis como pessoas por serem cientistas. Nada adquire validade científica por opinião de alguém, por mais respeitável que seja esse alguém.
No mundo dos negócios é que adoramos esse “show business”, essa tietagem tola, culto à personalidade de “pessoas especiais” - geralmente ricos e poderosos, sem qualquer outra credencial. Grande parte, certamente, lucky fools.

06/12/2007

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