Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Resumo, ponto final e ponto central de minha discordância com Betania Tanure
A professora diz em seu manifesto: “Proponho que o dirigente contemporâneo, no lugar de ser construtor de sistemas, assuma o papel de desenvolver pessoas, criando um contexto no qual cada indivíduo na empresa possa realizar o melhor do seu potencial...”.
Eu digo: o contexto que a senhora propõe só pode ser criado pelos sistemas que quer que deixemos de lado. Não pode funcionar.

26/12/2007

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Precisamos mesmo é de bons arquitetos de sistemas empresariais
Existem pessoas adequadas a certas empresas, que serão inadequadas em outras. ”Pessoas especiais” são um mito. Sistemas bem desenhados são mais importante do que “pessoas especiais”. Países ricos, não são ricos porque têm pessoas especiais, eles têm pessoas normais, bem burrinhas em média, como não pode deixar de ser. Essas pessoas, se tornam grandes performers graças a sistemas bem desenhados.O papel do gestor como designer desses sistemas é essencial.É a mais importante de suas funções.É para isso que ele (gestor)serve.
Alguém conhece ou pode definir uma forma de se selecionar “pessoas potencialmente especiais”, sem a especificação do sistema em que essas pessoas vão operar? O que são “pessoas especiais”?Quem define?”Capacidade de se emocionar”?Ora, professora Betania.... Em respeito à senhora, não vou comentar isso, mas não está muito “paulocoelhista” não?
O que é uma “pessoa especial” para a Casas Bahia, por exemplo? Ou para a Vale do Rio Doce? Ou para a AMBEV, digamos? Essas empresas (grandes empresas brasileiras) geram valor por meio de sistemas (desenhados por seus gestores) que são completamente diferentes entre si. Todas podem dizer que têm pessoas especiais, só que as “pessoas especiais” de uma, não funcionarão na outra. Portanto, amigos (acompanhem a lógica) elas, as pessoas, só são especiais dentro de um certo sistema. É O SISTEMA QUE AS TORNA ESPECIAIS! MacDonald´s e Mackinsey são ótimas empresas. Ambas começam por “Mac”. Ambas têm “pessoas especiais”, mas, o que uma tem a ver com a outra?

25/12/2007

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Não precisamos de “desenvolvedores de pessoas”, sim de líderes de verdade.
Dirigentes não devem se meter a desenvolver pessoas.Não é o seu papel.Desenhem bons sistemas que as pessoas se desenvolverão, crescerão e produzirão.
Serão mais felizes?Não sei. O papel das organizações não é fazer ninguém feliz, é prover condições adequadas para que as pessoas que lá trabalham definam por si mesmas a felicidade que desejam, e a persigam segundo seus próprios critérios. O papel da organização é ser justa em seus processos, felicidade é com cada um.
Desculpe de novo, mas se a maioria, dos chamados líderes empresarias-incluindo boa parte dos masters do universo endeusados pelas revistas de negócios- mentisse menos, manipulasse menos,apadrinhasse menos, fosse menos nepotista,valorizasse mais a meritocracia,bancasse para valer a visão de “pessoas” que está escrita (burocraticamente) em suas (burocráticas) declarações de missão, ah professora....Já estaria bom demais.Não precisaríamos de nenhum “novo paradigma” (arghh....). As pessoas cresceriam mais, naturalmente, entende? Bastaria isso, por que não fazem? Não fazem porque integridade (é disso que estamos falando) tem um custo enorme! Ser coerente “em horário integral” é dificílimo. Falar uma coisa e fazer outra é o natural porque é mais “barato”. Ser líder não é para qualquer um não. Tem que ter um “preparo físico” monumental, entende? Ser gerente é mole, ser líder é para raros.

22/12/2007

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Indivíduos não funcionam, o que funciona são indivíduos trabalhando em organizações.
Apesar de todo blá, blá, blá, não há nenhuma evidência de que haja pessoas que possam abrir mão de sistemas gerenciados (organizações) para funcionarem direito. Pessoas precisam de sistemas,de organizações. Vamos falar sério: a organização tem que vir antes; o sistema tem que vir antes; a gestão tem que vir antes.
Quando se fala em gestores “desenvolvendo pessoas”, estamos falando exatamente de quê? Dos tais “líderes servidores”, que à lá gurus orientais (na base da conversa), fazem o potencial das pessoas comuns desabrochar, transformando-as em “pessoas especiais”? Que história é essa?Não existem, nem precisam existir, “pessoas especiais” para os fins da gestão. Em arte existem, mas lembre-se, arte não tem finalidade (além do “estético”) gestão tem. Gestão é finalidade.

22/12/2007

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Lembrando Betania Tanure em seu manifesto:
”Há uma teoria de gestão baseada em “três S”-strategy, structure &systems- que uma importante geração de líderes brasileiros aprendeu a [usar para] enxergar suas responsabilidades. Esses líderes, definiram suas funções como projetistas das estratégias,arquitetos das estruturas e construtores dos sistemas.O grande poder- e o defeito fatal-da doutrina, está no seu objetivo central:criar um sistema de gestão que minimize a dependência da empresa,das idiossincrasias dos indivíduos”.
Comento.
A modernização das empresas brasileiras,pós abertura dos anos 90, deveu-se a essa visão dos gestores brasileiros. Se hoje temos empresas (como AMBEV e Gerdau) em condições de competir no exterior,é graças a isso.“Defeito fatal” por procurar minimizar as idiossincrasias individuais? Como assim, ”defeito fatal”? Por quê? Indivíduos (de terno e gravata ou não) fora de ORGANIZAÇÔES não são confiáveis; são pouco mais que primatas bem barbeados.
A grande inovação - a maior de todos os tempos para mim-foi a organização gerenciada. É ela que permite às pessoas realizarem o máximo de seu potencial produtivo. E organização significa, estratégia+ estruturas+ sistemas ou ,se a senhora quiser,estratégias+processos+ pessoas,ou ainda qualquer outro arranjo de elementos que implique em: pessoas trabalhando segundo sistemas definidos para implementar uma estratégia estipulada pelos gestores.
(continua)

21/12/2007

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As empresas são toleradas, não amadas (principalmente as grandes).
O que considero errado (e combato) é a mentalidade, amplamente dominante hoje, que resumo assim: “empresas não podem ser só sobre ganhar dinheiro. O capitalismo tem de ter uma face humana também; as empresas têm de se preocupar com as pessoas/o meio ambiente/as minorias/a comunidade/o planeta. Temos de ter outras métricas de sucesso...”.
É uma idéia que apela aos melhores sentimentos das pessoas decentes, mas, quando você examina a coisa, percebe que é totalmente vazia e enganosa. Por quê? Porque o subtexto (arghh...) leva a crer que as empresas, generalizadamente, são possuidoras de um tipo especial de patologia. São intrinsecamente más. Fazem e farão o que bem entenderem “para ganhar dinheiro” mesmo às custas do “ser humano” (arghh... de novo). Isso pode ser verdade em algumas circunstâncias, mas é verdade EM CADA VEZ MENOS CIRCUNSTÂNCIAS. Por quê? Porque é cada vez mais difícil fazer coisas “más” e ninguém ficar sabendo. A maldade/ambição/ desumanidade podem levar você a querer poluir aquele rio com mercúrio, ou a não trocar uma peça defeituosa no carro que fabrica, mas, o Jornal Nacional vai noticiar; vai ter vídeo no You Tube, e você estará mundialmente ferrado. É isso que regula a “maldade” de empresas- o risco de ser descoberto! Mas- ATENÇÃO!- não é só a maldade das empresas que é regulada assim não. É a de todo mundo!! Por que eleger a perversão da empresa como diferente da dos outros? Partidos, governos, igrejas,sindicatos, ONGs, países, blocos comerciais... Todo mundo, sem exceção, é assim.
Hei, que maldade daqueles padres pedófilos, não? Ainda bem que foram descobertos, né?”. “Soube da propina para o partido XXX votar com o governo?”. ”Que covardia dos países ricos com esse protecionismo comercial!”... A natureza da empresa é tão predatória/egoísta quanto à de quaisquer outros indivíduos ou grupos.
Empresas têm muito menos poder do que se pensa (mesmo as maiores multinacionais) como vou mostrar. Esse papo de grandes coporação serem maiores e mais poderosas do que países, é besteira. Desinformação. Mistificação (vou mostrar, vou mostrar..). Por que colocar a empresa numa categoria especial de maldade?
Isso ás vezes é ranço marxista, ás vezes é ignorância do que seja uma empresa, às vezes é ingenuidade de pessoas bacanas, que acham que, assim, estarão demonstrando serem “do bem”. A mensagem da “maldade intrínseca da empresa” é o tema de um livro e vídeo muito populares (mas errados)- “The Corporation”, de Joel Bakan, que um leitor deste Blog, pede que eu comente. Tá tudo anotado, vou comentar sim, mas vamos ao manifesto primeiro. Ele é um pedacinho do mesmo erro.

20/12/2007

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O manifesto da professora Betania Tanure
O jornal Valor Econômico de segunda feira passada, 17.12, traz um “Manifesto para os dirigentes contemporâneos”, da professora Betania Tanure da Fundação Dom Cabral. Discordo dela. Se você não a conhece, não vá pensar que a professora é do mesmo quilate de gente que tenho criticado neste blog(aquela turma do babalaô- I”ll survive etc..). Não é não. Minha discordância dela é frontal, mas respeitosa;já a turma do babalaô eu não respeito não (acho-os gaiatos inofensivos num extremo; farsantes perigosos no outro. Eles existem porque há mercado para gaiatice e farsa no mundo empresarial, não é culpa deles. Estão ganhando a vida “honestamente”).
Betania Tanure diz o seguinte:
”Há uma teoria de gestão baseada em “três S”-strategy, structure &systems- que uma importante geração de líderes brasileiros aprendeu a [usar para] enxergar suas responsabilidades. Esses líderes, definiram suas funções como projetistas das estratégias,arquitetos das estruturas e construtores dos sistemas.O grande poder- e o defeito fatal da doutrina, está no seu objetivo central:criar um sistema de gestão que minimize a dependência da empresa,das idiossincrasias dos indivíduos”.
.. Hoje, o "desafio-chave” é conseguir atrair, desenvolver e reter os melhores talentos.. num movimento que propicie a criação de inovações e de oportunidades... Proponho aqui, que o dirigente contemporâneo, no lugar de ser construtor de sistemas, assuma o papel de desenvolver pessoas, criando um contexto no qual cada indivíduo na empresa possa realizar o melhor do seu potencial... além da competência na gestão da empresa, esse líder deve ter a capacidade de mobilizar pessoas e,mais do que isso,emocionar-se com a construção do projeto da empresa,capturando o coração e a alma dos que o rodeiam..”

Acho esse tema excepcionalmente importante. Escrevi um livro inteiro sobre ele, defendendo a idéia oposta à da professora (está citado aí do lado na coluna da esquerda,abaixo daquele desenho que dizem que sou eu).Vou comentar por partes, cuidadosamente.

20/12/2007

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Um livro espetacular
Vôo atrasado de novo (só uma hora; até que tá bom, não estou reclamando). Vamos a mais um post diretamente do aeroporto de Curitiba. Acabei de comprar “O gene Egoísta” de Richard Dawkins (Companhia das Letras, R$ 55,00). É um dos cinco livros que eu levaria para uma ilha deserta. Não sabia que tinha edição recente em português, conhecia uma, muito antiga, em português de Portugal. Li em inglês há anos e reli várias vezes. Espero que a tradução faça justiça ao texto de Dawkins. Se você entende inglês, veja-o dar um show de inteligência em http://richarddawkins.net/growingupintheuniverse
(são cinco vídeos com aulas dele para leigos. Ciência de primeira. Um grande mestre).

19/12/2007

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O manifesto Betania Tanure. Professora, desculpe, mas a senhora está errada.
A respeitada (inclusive por mim) professora e pesquisadora da Fundação Dom Cabral, fez um manifesto (VALOR ECONOMICO 17.12) propondo mudança no papel dos gestores brasileiros: de arquitetos de sistemas para desenvolvedores de pessoas.
Fico impressionado com a quantidade de pessoas ditas "do bem" que, fiéis à imagem que desejam projetar, acham estar promovendo idéias libertárias, quando,na verdade, emprestam suas energias a causas que podem gerar o efeito contrário ao que pretendem.
Cotas para negros, podem segregar negros.
Dinheiro para necessitados, pode torná-los eternamente necessitados.
Todo mundo parece em busca de uma causa nobre. Algo que soe bem e seja politicamente correto. Defesa do planeta. Empresa responsável socialmente. Promoção do “ser humano”.Capitalismo humanizado,essas coisas....Quem pode ser contra?Milhões de ONGs saltarão em cima de você, se você for contra.
Atenção: não estou dizendo que as coisas que citei vão produzir, necessariamente, um efeito contrário ao que pretendem. Digo que, em,geral,PODEM fazê-lo (depende das circunstâncias).
Agora, no caso do que a professora Betania Tanure propõe, afirmo sem medo: produz o efeito contrário sim. Amanhã comento.

19/12/2007

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Ah, esses artistas acima de qualquer suspeita...

Meus comentários a cores. Sei que fica feio, mas estou sem tempo para lutar contra o editor deste blog .
Da agência Reuters- "O arquiteto Oscar Niemeyer, prestes a completar 100 anos, recebeu uma condecoração de Moscou nesta sexta-feira, 14/12, no Rio de Janeiro, quando lançou elogios ao presidente russo, Vladimir Putin, e afirmou que o capitalismo está "desmoralizado". O arquiteto é amigo do líder cubano, Fidel Castro, e tem um passado de estreita ligação com o regime da extinta União Soviética.
-->Capitalismo desmoralizado, como assim? Para mim, dizer isso é o mesmo que dizer que as fases da lua estão ultrapassadas. Que precisamos de um novo “paradigma lunar”. Wishful thinking nessa idade seu Niemeyer? Com todo o respeito: cai na real! Ainda é tempo!
Da Folha de São Paulo- "Em frente ao Palácio do Planalto, sob o sol do meio-dia, a atriz Letícia Sabatella misturou-se a integrantes de movimentos sociais, rezou, cantou e discursou em apoio à greve de fome de dom Luiz Flávio Cappio"
-->Será que teve I'll survive? Alguém levitou? Abraçaram algum coqueiro?(tem coqueiro por lá, gente?)
FOLHA - O governo já disse que não pára as obras. Como a sra. avalia isso?
LETÍCIA SABATELLA - A gente vê a decisão de dom Luiz de abrir mão da própria vida e de chamar a atenção para uma causa que vai atender às gerações futuras, e, ao mesmo tempo, vê o governo tão apegado à idéia de modelo de desenvolvimento calcado no lucro de alguns com o PAC, com essa política de aceleração do crescimento, vai aumentar o trabalho escravo, aumentar a prostituição infantil.
-->Tem cada coisa né? Por que tanta gente querendo salvar 'o ser humano', os 'pobres',as 'populações ribeirinhas'?" Certos artistas têm mania de grandeza, consideram-se tão iluminados que vêem coisas que só eles vêem. Têm uma certeza pétrea de que tem algo a declarar só porque são artistas. Dona Letícia, Seu Niemeyer, a única coisa que aumenta a riqueza, que melhora condições de vida, é o desenvolvimento econômico. Vocês que prezam a melhoria de vida dos mais desassistidos,deviam defender o desenvolvimento e o aumento de produtividade e parar de abraçar coqueiros metafóricos.

19/12/2007

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Vou repetir até ficar rouco
Gestão é resultado, não esforço.Para obter resultado, primeiro temos que concordar sobre aquilo que se está tentando obter, e, depois, traduzir aquilo em medidas de desempenho. Já reparou como no setor público se coloca o foco no esforço (input) e não no resultado? Um novo crime chocante e lá vem a lengalenga: “vamos aumentar o efetivo; já abrimos concurso” -mas quando (e de quanto) os crimes vão diminuir? Ninguém diz. Criar mais uma comissão, trabalhar noite e dia etc..são coisas irrelevantes do ponto de vista gerencial. São inputs, gestão é output.
É que é sempre mais fácil medir o que você põe no sistema do que o que você quer obter como resultado. É mais fácil, mas é errado. Veja a violência urbana- um colossal desafio gerencial ainda sem nenhum caso conclusivo de sucesso ,apesar de esforços em muitos níveis. A tarefa da polícia é diminuir a violência, não é se esforçar para isso, não é atender a chamadas telefônicas de emergência ou registrar denúncias. Número de policiais nas ruas é esforço, não resultado. O celebrado chefe de polícia(William Bratton) que diminuiu os índices de criminalidade de Nova York e de outras cidades americanas, mudou a ênfase vigente: passou a medir resultados, não a atividade policial.Agiu como gestor e os resultados foram impressionantes .Seus métodos viraram case estudado no MBA de Harvard.

18/12/2007

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Ainda o Bolsa Famíla - até hoje se discute forma e conteúdo.
Qual a missão do BF? “Inclusão social”, disse um dia frei Beto, o “ex-assessor religioso” do programa. “Distribuição de alimentos”, falou o José Crazyano... desculpem, Grazziano, o ex-“gestor” do programa. Inclusão social é diferente de distribuição de alimentos. Da mesma forma que cotas para negros em universidade não significam necessariamente mais representatividade para os negros na sociedade (podem, perversamente, significar até o contrário). É sutil. Não se trata de vontade política, trata-se de cabeça gerencial. Qual é mesmo o projeto educacional do governo? Começou com um ministro dizendo que era o combate ao analfabetismo. Com ministro novo, passou a ser a universidade. Qual é o projeto do MEC?

18/12/2007

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Gestão começa com um propósito compartilhado
Uma empresa, para ter o direito de existir, tem de gerar valor econômico (preço menos custo), uma organização sem fins lucrativos (ONG, agência de governo, museu...) tem de gerar valor social. É mais fácil gerenciar uma empresa orientada para lucro porque seu critério de sucesso é inequívoco: é dinheiro. Valor social é mais fluido e difícil de medir. Quem seria o “cliente” do Bolsa Família, os necessitados que recebem ou os doadores (nós) que financiamos? Gestão começa com um acordo sobre um propósito.Como não têm clientes pagantes, as sem fins lucrativos (governos incluídos) têm de começar impondo-se a disciplina de uma missão. “Qual o valor único que existimos para criar? Quem vai nos dar suporte para cumprir essa missão, e como poderemos alinhar seus interesses com essa missão?”. A moldura mental é a mesma para qualquer “sem fim lucrativo”- vale para o “Bolsa Família”, para um museu,universidade pública ou para um zoológico. Quem é o “cliente” de um museu,os freqüentadores ou os mantenedores? E o dos bancos de sangue da Cruz Vermelha: os doadores, os hospitais (que recolhem o sangue) ou as pessoas que usam o sangue? Se definirmos como “cliente” aqueles que financiam, tiramos a atenção daqueles que recebem o benefício. Se focamos no usuário final e esquecermos quem financia, teremos problemas. Não é nada trivial. Em outros países, as sociedades locais aceitaram financiar programas análogos ao “Bolsa Família” num primeiro momento.Era justo,pensava-se, que o estado investisse para dar a todos condições de fazerem sua parte.Com o tempo porém,esse apoio foi retirado, pois cresceu a percepção de que os beneficiários,felizes com um dinheirinho mole, não estavam fazendo esforço pessoal para mudar sua situação.Se há uma verdade inquestionável em gestão (pública ou privada) , é essa: o animal humano não aceita injustiça.Não colabora se a percepção é a de que o processo é injusto.
Organizações sem fins lucrativos têm de começar investindo tempo e energia para chegar a um acordo sobre seu propósito, se não, vão fracassar (estou lembrando dessa brincadeira de mau gosto a que chamam de “base aliada do governo” ). Quando você houve falar de caos gerencial em Brasília, o diagnóstico é este: falta de propósito compartilhado. Sem isso não pode haver gestão.
(adaptado de "What Management is" de Joan Magretta)

17/12/2007

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Gestão (inovação )=resolver problemas com restrições
Lembra do filme Apolo 13? Uma explosão danificara a nave e a missão (pousar na Lua) ficara impossível. A nova missão era trazer a tripulação (viva) de volta. Tentava-se montar um plano de emergência para a reentrada, quando surge novo problema: os níveis de dióxido de carbono subiam sem parar e sem um sistema de filtragem morreria todo mundo. No centro de controle em terra, o líder despeja sobre uma mesa o conteúdo de três caixas cheias de bugigangas que ele sabia existirem na nave. ”Temos de fazer isto” (mostrando um objeto quadrado), “encaixar aqui” (mostrando um objeto redondo), “usando nada além do que temos aqui” (apontando para o monte de bugigangas em cima da mesa). O “filtro” foi montado com um pedaço de mangueira de plástico, fita adesiva, a capa de um manual de vôo, e um pé de meia. Tudo começa com um senso de propósito; uma missão. O sucesso não teria vindo sem uma límpida clareza sobre o objetivo e as restrições. O herói dos gestores não é o Capitão América, cheio de “vontade política”; não é o palestrante que faz todo mundo chorar; não é o paulocoelhismo (ou o robertocarlismo) cheios de emoções e mágicas. É o McGeiver. Foco absoluto no resultado com os recursos que estão disponíveis.
(adaptado de "What Management is" de Joan Magretta)

17/12/2007

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