Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Estou doido para mudar de assunto,mas os e-mails continuam chegando
Então vamos lá.
O “sucesso” Arno Penzias é uma demonstração pronta e acabada da tese que defendo: o viés (humano!humano!) para encaixar narrativas charmosas,explicações sensacionais,causas sexy, DEPOIS que uma coisa acontece, desmoraliza os explicadores e depõe contra quem aceita as "explicações". Com o tempo me convenci de que o fenômeno da auto-ajuda e o sucesso da gurulândia empresarial têm, precisamente, esta (única) causa:conte-me uma história bacana!Se é verdadeira ou não,não importa, mas diga algo bom de ouvir!!!Os dois fenômenos são a mesma coisa (sei que estou usando uma explicação para criticar "explicações",mas vê se tem lógica o que eu estou dizendo).
A história da detecção do Big Bang é publica,todo mundo sabe dela (já era pública quando Penzias me contou,eu é que não sabia). Fiquei deliciado quando li o seguinte no último livro de Nassim Taleb:
" ...no web site do Bell Labs eu achei o seguinte comentário sobre como a “descoberta” de Arno Penzias foi um dos maiores avanços do século passado:
Dan Stanzione,que era presidente do Bell Labs quando Penzias estava lá,disse que ele (Penzias) “corporifica a criatividade e a excelência técnica que são as marcas registradas do Bell Labs” .Ele o chama de “figura da renascença, que estendeu nosso frágil conhecimento sobre a criação e avançou as fronteiras da ciência em muitas áreas importantes”
.

Figura da renascença né?Nada mal para quem só estava limpando cocô de passarinho, não acha?
Próximo post:a origem histórica da gurulândia empresarial

23/02/2008

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Só sábado
Pessoal,atualização decente só sábado à tarde.Excesso de compromissos e conexão wireless muito ruim aqui onde estou (não tem outra).

22/02/2008

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O cara que detectou a origem do universo limpando cocô de passarinho
Arno Penzias é uma figura.Veio ao Brasil em meados da década passada numa tentativa de entrar para o circuito dos palestrantes internacionais.Talvez estivesse precisando de grana,não sei.Nunca entendi por que se arriscava falando para businessmen, uma turma que nem sempre tem lóbulos frontais muito desenvolvidos,e que,claramente,preferiria estar ouvindo o autor de “Quem mexeu no meu queijo?”.Bem,isso pelo menos foi o que deduzi daquela sinfonia de roncos vindos da platéia. Não sei se Penzias continua no circuitão,provavelmente não.Era ruinzinho de palco e a maneira como tratava seu tema –informação- era técnica demais. Esteve no auditório da Amil no Rio, e fui eu quem o apresentou a nossos convidados.Tirei uma onda dizendo que ia falar “de físico para físico” e tal...Cara de pau e megalomania,minha claro;me senti ridículo.Penzias é um dos famosos físicos do século passado.Foi um dos (dois) caras que detectou o Big Bang.
No almoço ele contou:”foi por acaso,eu estava fazendo um experimento com outra finalidade;o Big Bang apareceu em meus instrumentos e eu demorei muito a perceber o que era”.
Seguinte:em 1965 ele e outro radioastônomo do famoso Bell Laboratories, trabalhavam com uma antena quando começaram a notar um chiado estranho que ela estava detectando.Um ruído que lembrava a estática que você ouve quando a recepção está ruim no rádio do carro.Tentaram de tudo para eliminá-lo.Nada.Convenceram-se de que era originado no cocô de passarinho na antena, e trataram de limpá-la.Nada.Mudaram a antena de lugar, limparam de novo. O local estava infestado de pássaros.Eles tinham certeza de que a origem da coisa era o cocô. Demorou para notarem que o que estavam ouvindo era um ruído originado na explosão que deu origem ao universo,uns 12 bilhões de anos atrás (talvez 9, talvez 10,ninguém sabe ao certo).Algo que a teoria dizia que tinha de existir se a hipótese do Big Bang estivesse correta,mas nunca fora detectado.Um tipo de radiação chamado de “radiação cósmica de microondas de fundo” (background microwave cosmic radiation). Essa descoberta validou a hipótese do Big Bang. Penzias ria enquanto contava: “de tanto limpar cocô de passarinho,detectei a origem do universo”.
Claro que não podia dar certo como guru,gurus são sempre seguríssimos de seu saber.
Eis aí.A turma que gosta de ver relações de causa e efeito em tudo, pode começar a recomendar o “método Penzias para o sucesso”.
Próximo post (provavelmente só amahã á noite)- tentaram encaixar a descoberta de Penzias numa história épica e,naturalmente,mentirosa.

21/02/2008

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Cuba pode ser outra China?
Resposta curta e grossa:NÃO.
Por que não?Tamanho.
Tamanho é documento no capitalismo, pessoal. A China é uma ditadura comunista,mas tem uma coisa que o capitalismo adora:um descomunal mercado interno que ficou atraente quando resolveram dar uma liberada lá. Além disso:mão de obra barata, recursos naturais não desprezíveis,alguma “segurança” de que o estado não vai meter a mão no que é seu, e um compromisso pragmático de deixar as pessoas buscarem seus próprios interesses. Resumindo: uma série de coisas que atraem capitais.Capitalistas olham para essas coisas e dizem: ”Ôba, dá para fazer negócio!”.
Eu, ingênuo, tento argumentar: ”Mas aquilo é uma ditadura, gente!São comunistas, não há liberdade...”.
O capitalista me corta impaciente: “sei,sei,depois a agente vê isso, agora vamos aproveitar aquele mercadão”.
Cuba é um mercadinho e, por isso -só por isso- vai atrair pouca gente se forem removidas as barreiras que existem hoje (deles e de fora).Para crescer, eles não podem nem pensar em repetir a “meia sola” chinesa.Terão de ser muito mais radicais.
Não venham com essa de “se a China pode, Cuba pode também”. Pode não. Se tentarem copiar a China e se fantasiar de capitalista, sem as instituições que garantem o capitalismo, vão se ferrar.A China pode porque apela à ambição humana ,Cuba não pode porque não apela.
Próximos posts: a historinha de Arno Penzias,o cara que foi limpar cocô de passarinho e acabou detectando o Big Bang e ganhando o Prêmio Nobel de Física. Que história!
Depois:um monte de comentários de meus leitores.

21/02/2008

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“Em busca de otários (II)” e o cara que detectou o Big Bang
O pessoal da HSM, com quem eu sempre me dera bem, ficou danado comigo por causa do artigo (post abaixo). A turma da Amil (onde eu era diretor ,e que patrocinava os eventos da HSM), também ficou. Deixa eu falar claro:considero a HSM craque. Não a confundam com outros objetos da minha ira (vocês nunca verão ninguém cantando “I’ll survive” num evento HSM). Eles exploram com muito talento uma necessidade de mercado.Não inventaram os gurus,há um mercado para eles.O que vamos tentar entender mais para a frente (em outros posts), é o por quê do “me engana que eu gosto”.Executivos parecem apreciar a auto-flagelação.Que outra profissão você conhece em que há um personagem como Dilbert,especializado em sacanear a chamada “vida corporativa"?Quem curte Dilbert? Executivos de empresas (e pretendentes).Que coisa estranha né?
De lá para cá, mudei muito pouco -fiquei um pouquinho mais rabugento e intolerante,o que é outra vantagem de não estar mais ligado a empresa nenhuma-mas, na época, foi chato.Tive de parar de servir de “mestre de cerimônias” para palestrantes que vinham à Amil trazidos pela HSM (coisa que fazia habitualmente,e ,com raras exceções, fazia com muito prazer).Meu ataque aos impostores do circuito do show business foi considerado uma ofensa à “classe”. Bobagem e excesso de frescura da HSM e da Amil.Tem gente muito boa que faz palestra e eu só falo mal dos ruins. Meu primeiro livro e alguns dos demais têm endorsements de vários gurus (que conheci via HSM). Conheci gente sofisticada ,scholars,como Peter Drucker e Michael Porter,por exemplo .Conheci também,nesse circuito,gente prática e sem frescuras como Al Ries (nada acadêmico,pouco “profundo”, mas muito útil). Idem Regis McKenna, John Sculley e outros.Inclusive um famoso prêmio Nobel de Física – Arno Penzias- que ganhou o prêmio por ter descoberto evidência experimental da origem do universo! Foi ele o cara que detectou (mediu!) o Big Bang, minha gente! Fofoca:ele me disse que foi sorte; sua descoberta nada teve a ver com talento ou mérito.Se pedirem eu conto detalhes dessa história aqui. Até hoje guardo o autógrafo de Arno Penzias. Gosto de gente que não leva a sério demais seu conhecimento. Desprezo os “masters do universo”. Se não precisar deles, vou morrer pegando no seu (deles) pé. Se precisar...Bem,deixa pra lá.
Seria estupidez falar genericamente contra “palestrantes” ou “gurus”. Falo mal dos embromadores e dos arrogantes que jamais têm a humildade de reconhecer quando são flagrados em erro. Mas, pensando bem, diz aí: se você ganhasse US$150mil por palestra(dólares!dólares!)reconheceria que o que diz é besteira?

20/02/2008

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“Em Busca de Otários”- a história de um conflito (I)
Em 1997 escrevi um ensaio para a EXAME que saiu com o título acima. O que eu dera era outro-“Gerentes preparados fazem a coisa certa,gerentes de verdade fazem acontecer”-mas os editores mudaram (não reclamo,repercutiu muito mais). Desanquei a gurulândia.Tom Peters foi um dos alvos, mas só bati acima da linha da cintura. Essa matéria me deu o Prêmio Abril de Jornalismo, mas me fez perder a estima de algumas pessoas com quem sempre me dera bem. Chato,mas não me arrependo. Hoje, reescreveria muita coisa; mudaria, talvez, uns 30%,mas AUMENTARIA o tom dos ataques à gurulândia, e à superficialidade com que os temas da gestão são tratados- alguém tem de fazer o trabalho sujo,né? Um trecho abaixo.
++++++++
"A revista Fortune trouxe uma reportagem devastadora. O título -“In Search of Suckers” -(Em busca de Otários) - ironiza o megassucesso de Tom Peters e Bob Watermann (“In Search of Excellence”) num livro de 1982. A matéria cita,entre outros títulos, pérolas como : “Você não precisa ser um gigante:Lições de Haile Selassie´ sobre liderança” - livro de memórias do falecido rei etíope,que era baixinho, e que mostra como “alguém de qualquer tamanho pode ficar no poder quase indefinidamente”.
Que profissão essa nossa, hein!?Boa parte da literatura empresarial é desse nível, leitor... Por trás disso, está a lucrativa indústria dos seminários para executivos. Quer faturar uma graninha? Escreva um livro (qualquer livro!) e arranje alguém que introduza você no circuito dos palestrantes para executivos. Trate de preferência de ninjas, golfinhos, da sabedoria dos povos primitivos aplicada à administração-(índios são uma boa)- andorinhas ou lobos. A turma adora essas coisas. Exatamente como meu sobrinho de cinco anos. Você tem dificuldade para escrever? Ok, não precisa escrever. Mas, para poder entrar nesse circo-perdão, nesse círculo-, vai ter que ter curriculum em algo apreciado pelo gosto popular. Organizar escolas de samba, digamos, ou treinar times de futebol. Fale sobre sua experiência de vida; de como você “gerenciava os conflitos” e fazia todo mundo se unir, entende?Os auditórios estarão sempre cheios. Concordo: é mais divertido do que trabalhar. E é a sua própria empresa que paga os caras e dispensa você do batente para assistir a essas coisas. Um vidão, né?"

+++++++++++
Leia no próximo post: mais “Otários”,e o homem que detectou o Big Bang por pura sorte!(ele também tentou faturar uma graninha no mercado dos gurus empresariais).

19/02/2008

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Caso II: Monsanto-talento derrotado pelo azar
Agora o contrário: uma decisão que, nas circunstâncias em que foi tomada, foi correta (porque foi baseada na melhor informação que se tinha), mas cujos efeitos se revelaram nocivos por causa de desdobramentos posteriores.
Exemplo: a opção radical que a Monsanto fez pela biotecnologia (alimentos transgênicos e tal..).
Ninguém previu a monumental reação política e da opinião pública à “comida Frankenstein”. O CEO foi demitido e a Monsanto foi vendida. Robert Shapiro -o CEO- era,em minha opinião,um cara de idéias excelentes. A tecnologia estava pronta, mas o mercado não. Talvez, em uns cinco ou dez anos possamos saber se Shapiro foi mesmo um visionário à frente de seu tempo.Talvez alguém diga que teria sido possível prever as dificuldades da Monsanto, mas isso é aquele "viés da clarividência após o fato" (percepção tardia-hindsight bias).
O ambiente dos negócios é altamente randômico e ,assim como alguns acertam por sorte, outros dão errado, por azar. Quando você olha para o passado, ele sempre parecerá determinístico. Dá sempre a impressão de que se sabia antes ou que se poderia saber antes.
Mas não. A “estrutura do acaso” impede que saibamos antes. Esse viés (“eu sempre soube”) é que produz tantos representantes de meu principal objeto de desprezo - o “master do universo”. Aquele que, como deu certo, julga-se possuidor de um talento especial e, portanto, “sabia antes”.
Robert Shapiro carrega o estigma de perdedor.
Duvido que esteja sendo chamado a fazer palestras e explicar como liderou a Monsanto a uma revolução gerencial que culminou com a liderança em biotecnologia. Perdeu a batalha da opinião pública mas, se fosse possível rebobinar a fita e fazê-lo viver outras situações profissionais, dificilmente um cara com seu talento deixaria de se tornar vitorioso na maioria das “outras vidas” que viesse a viver.
No que conta para um gestor,porém, ele perdeu mesmo. Em gestão, só os resultados contam. É do jogo.
Na vida não. Herói na vida, não é quem vence batalhas, mas quem age heroicamente.
O herói épico da literatura, como lembra Nassim Taleb, independe do resultado das batalhas que luta. Ele é herói pela maneira com que se comporta, não pelo resultado que alcança. É uma babaquice monumental levarmos a sério demais nossas vitórias, nossa história, nosso talento.
Falta humildade no mundo das empresas.
Qualquer vitoriosozinho inventa logo uma história épica e começa a tirar onda de “master do universo” (ajudado pelo jornalismo de negócios e pelos gurus da auto-ajuda empresarial, leia próximos posts. Muita gente ganha dinheiro com essas baboseiras. Há um mercado para elas).
Grande parte dos “vitoriosos” inventa uma história para corroborar sua genialidade e provar que “sempre soubera”. São uns bobalhões.

18/02/2008

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Caso I: Merck-talento ajudado pela sorte
Em 1994 a Merck estava numa corrida tipo “matar ou morrer” com a Monsanto, para ver quem desenvolvia e lançava primeiro um analgésico baseado numa nova tecnologia (que usava certos inibidores COX-2). A Monsanto estava na frente em pesquisas com o Celebrex, e a Merck chegara a duas possibilidades de formulação para o seu Vioxx. Ambas as versões da Merck tinham passado pelos testes com animais, e era hora de investir nos testes com humanos, que é onde se gasta dinheiro pesado. Havia três possibilidades igualmente prováveis:
-nenhuma funcionar;
-as duas funcionarem;
-apenas uma funcionar.
O CEO da Merck podia decidir testar uma variante de cada vez e gastar um bom dinheiro, ou testar as duas ao mesmo tempo gastando uma montanha de grana ainda maior.
Ele decidiu gastar a montanha e testar as duas ao mesmo tempo. Uma funcionou, a outra não.
Aí vem aquele especialista e diz: “ele tomou a decisão errada, devia ter testado uma versão de cada vez, se a primeira funcionasse logo da cara ele pouparia a grana de testar a segunda”.É, mas se o teste não aprovasse de primeira, o Celebrex, da Monsanto iria ganhar uma vantagem irrecuperável no mercado, e aí, babau. Também poderia ser que testando em seqüência, nenhuma das duas funcionasse. Não era possível saber antes. Ele tinha de tentar controlar a “estrutura do acaso” da situação e foi o que fez.
-Quando perguntado sobre sua decisão, o CEO da Merck-Edward Scolnick-disse: ”foi pura sorte“ (It was just dumb luck).
Taí, gostei desse cara. Nunca vi em meus muitos anos de vida empresarial, nenhum executivo, jamais, reconhecer que seu acerto em alguma circunstância tenha sido por sorte. E sorte (acaso, ”randomness”) é muito mais determinante do que os livros e gurus fazem acreditar.
No caso do Vioxx foi sorte mesmo, mas a decisão de Scolnick fazer os dois testes ao mesmo tempo teria sido certa mesmo que os dois tivessem falhado. O resultado teria sido o fracasso, mas a decisão teria sido certa! Diante das informações que ele dispunha até a hora de tomar a decisão ele tinha de ter decidido como decidiu.
Na circunstância em que Edward Scolnick estava, a coisa mais inteligente que ele podia fazer, era garantir um processo correto, não um resultado correto. Deu sorte e conseguiu os dois.
Eis minha visão sobre o que é ser um gestor: garanta um processo correto que, se tiver sorte, você chegará ao resultado correto.
Garantir “processos corretos” tem a ver com dois fundamentos que deveriam se a base de qualquer curso de gestão: estratégia e execução. Isso pode ser estudado e exercitado. Vou repetir:aprenda tudo sobre esses fundamentos sabendo que eles não garantem resultados corretos. Feito isso, torça para ter sorte.
(adaptado do livro "What Management is" de Joan Magretta)
Próximo post: a Monsanto fez tudo certo em alimentos geneticamente modificados, mas perdeu. Uma derrota que é exemplo de boa gestão.

18/02/2008

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Os posts desta semana
Vou mudar um pouquinho a sequencia de posts que planejara, para tentar dar uma resposta simples ,por meio de dois casinhos,a uma questão que não está clara:qula a essência dessa coisa que chamamos gestão;o que se deve estudar em gestão.
segunda (18) de manhã-O caso da Merck -boa gestão ajuda a sorte
segunda (18) tarde-O caso Monsanto-boa gestão derrotada pela sorte
terça(19) manhã:Em Busca de Otários I-como um artigo meu de 11anos atrás, começou a revelar que o rei já estava nu naquela época, e me fez perder alguns amigos
Quarta (20) manhã-Em Busca de Otários II e o homem que detectou o Big Bang por pura sorte!(ele também tentou faturar uma graninha no mercado dos gurus empresariais).

17/02/2008

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Coca-Cola, Apple, Google-foi sorte?
Então,pergunta o leitor anônimo: como analisar empresas bem sucedidas como Google, Apple e Coca-Cola? Devemos acreditar que fazem sucesso por uma seqüência de fatores aleatórios -foi por sorte?
Caro leitor anônimo (LA), não existe método para tirarmos conclusões sobre “coisas certas” a fazer olhando para o sucesso de empresas que têm sucesso. Ponto.Esqueça isso.
Sei que é uma afirmação forte, LA. Forte, mas rigorosamente verdadeira. Confesso que só me convenci disso muito recentemente. Confesso que já elogiei Jim Collins (em meu primeiro livro).Eu também tenho viéses,a diferença entre mim e esses “masters do universo” em quem dou botinada, é que eu sei que sou assim, eles negam que sejam assim.
O sucesso de uma empresa pode vir por sorte ou por talento, LA, mas ,quando vem, é um sucesso SEMPRE fugaz. Nunca dura o suficiente para que possamos generalizar suas causas como verdades eternas. Não existe nenhuma empresa assim. Nenhuma. Empresas como a Coca-Cola ,que você cita, são boas em ir e voltar. Alternam períodos bons com ruins.
Coca Cola?Bem, ela foi a protagonista do maior fracasso de marketing de todos os tempos -o lançamento da New Coke em 1983.
Ah, mas a Coca-Cola está aí vivinha. Sim, mas olhe sua história. Você verá períodos ótimos e outros (muito) ruins.Verá períodos em que a empresa não gerou valor para seus acionistas.Períodos em que perdeu direto.Verá um monte de coisas.Só não verá um conjunto de ”verdades” que tenham CAUSADO o fato de estar viva ha mais de 100anos. LA, a Coca-Cola está aí, lépida e fagueira, por mais de um século, mas sua força se originou no acaso, a intuição de um cara esperto consolidou-a. Continue lendo.
A única pretensão de Asa Candler -o sujeito que comprou os direitos da Coca-Cola em 1887 - era comercializar um produto que curava enxaqueca. A Coca -Cola fora inventada,um ano antes ,por um farmacêutico. Era mais uma das muitas bebidas tipo "água carbonatada" entre dezenas que existiam na época. Candler percebeu que as pessoas compravam seu refrigerante por que ele era uma forma gostosa de matar a sede. A cura da enxaqueca foi esquecida rapidinho, e ele foi esperto o suficiente para martelar e consolidar o conceito de que "Coca-Cola acaba com sua sede, seja você quem for ,esteja onde estiver”. Aproveitou a coincidência do início do mercado de massas na América (estrada de ferro viabilizando a integração dos EUA como mercado...) e ajudou a sorte. Quando cometeu seus maiores erros ao longo do tempo, a Coca-Cola já tinha uma posição fortíssima, já era rica. A Pepsi só começou a incomodá-la décadas depois de ela ter se consolidado. Rico ri à toa, LA.Pode fazer muita besteira por causa da gordura que tem para queimar.
Apple? É a maior oportunidade perdida do mundo dos negócios. Inventou o PC, mas perdeu a liderança e oscilou entre a euforia e a depressão até muito recentemente. Era líder no início dos anos 80, mas estava quebrada em1995! Quebradinha da Silva. A Apple poderia ser a Microsoft, mas tem menos de 5% do mercado de PCs;a Microsoft tem mais de 90%.Quem ganhou,LA?Foi a Microsoft, e, já vimos por que: por sorte.
Google? Tem menos de dez anos e ainda não houve tempo para que fosse testado para valer. Inventou um processo genial de ganhar dinheiro com propaganda na Internet, por meio de um mecanismo de busca revolucionário. Quer imitar o Google?Invente um produto revolucionário, LA. Tipo um remédio que faça os carecas ficarem cabeludos em 24 (eu compraria).Vai lá, inventa aí LA! Não vou falar mais sobre o Google porque ele é o tema de minha coluna de Março na Época Negócios.Aguarde e leia.
Caro LA, boas práticas de gestão têm influência, comprovada, no sucesso de qualquer empresa, mas sabe quanto a boa gestão explica do sucesso?No máximo 10%.No máximo!Essa é a razão pela qual a gurulândia é um sucesso. Eles contam histórias mais palatáveis, mais interessantes, mais charmosas.Mentirosas, mas interessantes. Mentiras sinceras (Jim Collins) e nem tanto (Tom Peters). Vou explicar mais adiante o que acho que se deve fazer. Vou tratar antes da razão verdadeira do sucesso dos gurus nos posts desta semana. Começo no próximo.
Próximo post: ”Em Busca de Otários”-como um artigo meu de 11anos atrás, começou a revelar que o rei, naquela época, já estava nu, e me fez perder alguns amigos.

16/02/2008

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Até o fim da tarde,neste sábado
Vou entrar no meu tema respondendo ao leitor que postou a seguinte pergunta(nos comentários abaixo):
Clemente,
como analisar empresas bem sucedidas como Google, Apple e Coca-Cola? Devemos acreditar que fazem sucesso por uma sequencia de fatores aleatórios - por sorte?

16/02/2008

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No mundo dos gurus nem tudo é farinha do mesmo saco
Jim Collins não é um picareta porque não agiu de má fé;não falsificou/inventou(?)dados como Tom Peters ,assumidamente,fez. Apenas pensou que estava fazendo um uso inteligente de certas informações ,e não estava (estava fazendo um uso burro). É apenas o desinformado defensor de uma idéia totalmente furada:a de que é possível descobrir empresas excelentes,fazer o que elas fazem, e ter sucesso também.Isto,repito,é errado,errado,errado.
Há alguns leitores me cobrando uma lista dos livros que acho que valem a pena ler.Vou dar esta lista aqui.Tem gente me perguntando o que afinal eu recomendaria para quem quer aprender algo em gestão.Vou dizer.Outro me pede que comente uma reportagem recente na HSM Management, que diz que Jim Collins é o novo Peter Drucker.Precisa comentar isso mesmo?Há onze anos(1997) o pessoal da HSM ficou brabo comigo por causa de um ensaio meu na EXAME e de lá para cá,não tivemos mais contato.Acho que não preciso dizer o que acho dessa história de Jim Collins ser Peter Drucker(hahaha),não quero remexer o passado. Vou voltar a isso, mas antes, quero tentar responder a uma pergunta mais básica: por que essa fascinação com o sucesso das empresas e seus supostos líderes?De onde vem essa coisa toda, essa tietagem boboca, gurus, livros, seminários, revistas?Que engrenagem é essa?Para mim é uma indústria como outra qualquer- a indústria das celebridades do show business(não de idéias;esqueça esse negócio de “idéias”).Não tem problema nenhum,mas por que não chamar as coisas pelos seus nomes?

15/02/2008

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