Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Michael Hammer, o criador do hoje (injustamente) desacreditado movimento da reengenharia diz muito bem:

“Muitos gerentes de topo sobem aos mais altos níveis em suas empresas sem sujar as mãos. Entram nas empresa pelas áreas nobres de finanças, estratégia ou marketing e constroem suas reputações ali. Operações não têm glamour, transações sim. Fazer aquisições, planejar fusões, comprar e vender divisões, colocam o nome da empresa e a foto do CEO nas revistas de negócios. Reprojetar a área de suprimentos não, ainda que possa ser muito mais importante para o desempenho da empresa. “Transações” são facilmente explicadas e compreendidas pelos conselhos de administração, pelos acionistas e pela mídia. Oferecem gratificação imediata.A notícia de uma grande transação bem sucedida reforça a imagem do executivo como gênio que bola grandes tacadas, e depois deixa os detalhes operacionais para outros. O fato de a grande maioria das transações serem malsucedidas não faz com que deixem de persegui-las.
Os gerentes das empresas trabalham duro nas operações para que possam, um dia, serem promovidos ao nível executivo, onde podem parar de se preocupar com as operações.O trabalho empresarial que realmente gera valor, passou a significar status baixo” .

É preconceito e ignorância achar que só os “hiper-criativos-geniais” produzem inovação de verdade

15/03/2008

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Max Gheringer falou no Fantástico...

..que a segunda profissão mais procurada no mercado de trabalho atualmente é “administrador” ,a primeira é “engenheiro”. E aí Clemente? Você não diz que a maioria dos estudantes de administração não aprende nada útil e vai acabar dirigindo táxi?Você pensa isso mesmo?
Penso, logo insisto.
Estudar gestão não é uma inutilidade por uma razão : a enorme maioria dos gestores não se ocupa de estratégia, sim de execução. Estratégia é a grande aposta ,é onde estão os grandes riscos do “insabível”; é onde o acaso joga seu jogo e exerce um papel desproporcionalmente enorme.Estratégia é,necessariamente, para poucos- é para o CEO,para quem tem o mandato dos acionistas para fazer acontecer.É para uma minoria ínfima que é ( muito bem) paga para correr grandes riscos.
Execução requer muito mais disciplina do que genialidade, e é onde estão as grandes oportunidades para que as pessoas normais (não os gênios) façam diferença como gestores. Há um mundo de oportunidades aqui. Considero a fixação em"genialidade", uma praga no mundo da gestão.É o que a literatura de negócios glamouriza, e é o que vende,mas ninguém precisa ser gênio para ser bom gestor, só precisa entender a estratégia que outros formularam e operá-la bem.Você não precisa definir para onde o táxi vai, só precisa dirigi-lo no rumo que outros estabeleceram. Quando eu usei a metáfora do administrador como taxista,em vários posts anteriores,estava prevendo o desemprego da maior parte dos atuais estudantes.Continuo pensando assim,pois mesmo com a demanda alta,não há lugar para tanta gente.Os cursos de administração deveriam equipar mais esse pessoal com ferramentas para a execução,e menos com "estratégia" ,como fazem hoje.Os "estrategistas" têm muito mais chance de se tornarem taxistas não metafóricos;o mercado não precisa deles.
O mercado precisa é de bons executores,não há nenhum demérito nisso, mas não é sexy,não tem glamour...

14/03/2008

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A única crítica que tenho a “The Halo Effect” é o título....

....“Efeito Halo” remete àquelas velhas baboseiras místico-empulhacionais -cristais,pirâmides,almas gêmeas,outras vidas..arghhh....O título em português -“Derrubando mitos”- retrata melhor o que o livro pretende.
O curioso, é que apesar deste ser o primeiro livro a dissecar as tais "metodologias" usadas pelos autores de best sellers de negócios, e a demonstrá-las falsas, todos já sabiam que as recomendações de Tom Peters, Jim Collins e outros, são furadas. Mistério: os caras continuam na crista da onda. Tom Peters cobra US$85mil por palestra,Jim Collins ,US$150mil.Repito tanto isso que vocês devem pensar que sinto inveja deles .É claro que sinto!
Phil Ronsenzweig,o autor, também faz parte do burô que representa grande parte dos gurus,mas não sei se está sendo convidado para fazer muitas palestras.
O que diz é tudo verdade,mas alguém vai pagar para que um cético lhe diga que “as melhores práticas gerenciais não explicam nem 10% da variância (variação de performance) entre as empresas”?
Repare bem o que significa isso. Significa que teríamos de aprender a conviver com um alto grau de risco, sem historinhas bacanas para nos confortar;sem abobrinha.O risco de “fazer tudo certo”e ,assim mesmo, se ferrar, não é agradável. No entanto, essa é a realidade central da gestão.Quem pagaria para ouvir isso, ainda que seja verdade,como é?Quem pagaria para ouvir que os líderes que o autor sugere como inspiração para nós, têm medo,são inseguros, “praticantes da incerteza” ,e não tem nada a ver com os masters do universo que a imprensa de negócios vende?
O fato é que existe um mercado para o “me engana que eu gosto” vigente. A atitude predominante tem sido: ”hei,não me venha com a verdade,conte-me apenas uma boa história!”
Livros,revistas,seminários,pesquisas sobre as melhores empresas para isso ou aquilo,jornalismo de negócios em geral, são entertainment. Show business.Nada a ver com idéias consistentes, muito menos com conhecimento. Existe muita gente que se inspira com historinhas de Rambos corporativos (ou ninjas, ou monges,ou golfinhos,ou índios..o nível é uma tristeza).Tudo balela.Empresas excelentes, feitas para durar,liderança nível 5,líderes servidores, etc.. vendem bem.Existe quem paga por isso e existe quem vende isso. Só isso.Mérito zero.Ponto.

12/03/2008

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Os grandes temas da gestão são dominados pela incerteza.

Uma empresa é sempre uma aposta.
Muita gente,inclusive David Cohen,autor da boa matéria sobre DERRUBANDO MITOS,na última Época Negócios,lamenta que o livro não seja mais propositivo quanto "ao que fazer". É a mesma crítica que os livros de Nassim Taleb recebem:"tudo bem,mas o que você propõe?Não basta ficar dizendo que está tudo errado" .
De fato,pode parecer meio deprê ficar celebrando a incerteza,proclamando que nossos heróis (Andy Grove da Intel, por exemplo),são apenas praticantes da arte do risco, sem nenhuma teoria grandiosa a nos oferecer,cheios de medos e inseguranças. Bem, pode ser chato,mas se é verdade,não é melhor saber? Há circunstâncias em que podemos saber coisas com certeza,as que interessam no mundo da gestão,não podem.São "insabíveis".Acho melhor encararmos esse fato,ainda que perturbador,do que ficarmos nos enganando com historinhas.
Mas, de qualquer maneira,acho a questão -"o que você propõe"?- séria e relevante. Temos de enacará-la.Vou dar minha resposta nos próximos posts.



11/03/2008

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12/03
Encorajado pelo livro DERRUBANDO MITOS, proponho: vamos exigir que eles assumam!

Não existem relações de causa e efeito que permitam prever a vantagem competitiva de empresa nenhuma, em setor nenhum, com um razoável grau de certeza. Liderança,foco,cultura bacana,boa gestão,pessoas legais....PODEM ajudar, mas não garantem nada!! O que se pode apontar como causa-efeito no mundo da gestão não explica sequer 10% da diferença de performance entre quem tem sucesso e quem não tem. Estratégia bem bolada é essencial sim,mas há um problema:só se sabe que a estratégia é boa, DEPOIS,nunca antes. Você só analisa e aplaude o que escapou do cemitério,portanto,sua amostra é viciada.
Toda empresa é uma aposta.Não é jogo de azar (e, por isso, vale a pena estudar gestão) mas é aposta.
O mundo da gestão é essencialmente sobre RISCO e INCERTEZA-temas maciçamente ausentes dos cursos de administração (aqueles que formam alunos para dirigir táxis). O papel do gestor é tentar prolongar ao máximo o tempo que a empresa fica no topo, SABENDO que ela não vai ficar lá (isso,se a competição no setor for decente.Seu sucesso depende de quem está competindo com você).
Gestão é a prática da incerteza - é sobre escolhas que sempre têm muita chance de NÃO DAREM CERTO.O acaso desempenha um papel central na atividade do gestor. Isso é assim pela natureza intrínseca da coisa. Assumam isso logo por favor !O que gostaríamos de saber (regras para o sucesso) é “insabível”! Parem de nos enrolar!
(continua)

11/03/2008

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Um livro para ser lido, relido,debatido,adotado e recomendado

É a melhor coisa que li desde “O Dilema do Inovador”,de Clayton Christensen (1997). Em inglês, o título é “The Halo Effect”,no Brasil se chamará “Derrubando Mitos”.Será lançado este mês pela editora Globo. Nassim Taleb (outro craque) diz na capa que “é um dos mais importantes livros de gestão de todos os tempos”.Concordo.

O livro desconstrói brilhantemente uma parte considerável do edifício de idéias populares sobre gestão-aquelas que são o xodó da gurulândia (a Época Negócios que está nas bancas, traz uma matéria sobre ele). O autor, Phil Ronsenzweig, é um desconhecido ex-HP,ex-Harvard Business School ,atualmente professor do IMD na Suíça.
Todo mundo devia ler.Todas as escolas de administração deviam adotá-lo. É leitura prazerosa,bem escrito e altamente relevante. Se mérito garantisse sucesso seria um best seller maior do que qualquer coisas escrita pelos enganadores Tom Peters ,Jim Collins, Gary Hamel etc..mas...,deixa pra lá.
Aliás,Peters e Collins são dois personagens centrais do livro, que tem o mérito adicional de acabar com a falsa cordialidade usual entre gurus, e atirar firme contra ambos.
Ronsenzweig demonstra que as várias “metodologias” usadas pela gurulândia para montar suas histórias épicas (e recomendações idem) sobre empresas “excelentes” são,no mínimo ,inconclusivas,no máximo, falsas. Recomendações tipo “eis aqui o que fazer para ter sucesso” são fraudes.
Como o leitor deste blog pode imaginar, tudo isso é música para meus ouvidos.
O site do livro em inglês está
aqui.
O blog do autor está aqui.
(continua ,é claro. Eu não ia deixar passar uma oportunidade dessas)

11/03/2008

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Schumpeter descobriu:não pode haver vantagem competitiva sustentável

Isso já é sabido há muitas décadas,mas insistem em nos enrolar com "empresas feitas para durar" e outras enganações.A competição capitalista impede que haja empresas "duráveis"- ou seja,na crista da onda por mais de alguns poucos anos;e essa tendência é cada vez mais acentuada. As novas tecnologias ,que são a força motriz da inovação, surgem e são tornadas irrelevantes cada vez mais depressa .Quem está na crista da onda tem que correr cada vez mais rápido para conseguir ficar no mesmo lugar. A figura abaixo ilustra isso.


09/03/2008

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A literatura de negócios olha para o passado e deduz uma regra sobre o futuro

É uma fraude.No mundo dos negócios é como na vida-se você sobrevive até amanhã isso não significa que você é imortal como insinuam os autores que gostam de “regras para o sucesso duradouro” (fraude!fraude!),significa que você está mais perto da decadência. Observe a sequência de I a IV abaixo.

(não sei o que aquele “5” está fazendo abaixo do eixo horizontal,não tem nada a ver,esqueça-o).
Alguma coisa começa a crescer :vendas,lucro,valor de mercado,o que você quiser (quadro I)
Aí você corre e faz passar uma reta pelos pontos.Você acredita em Jim Collins,Gary Hamel, Tom Peters e outros, e projeta aquilo para o futuro indefinidamente (quadro II).Você acha que descobriu a receita para a “excelência”(ha ha ha..).
Mas se você observa numa escala mais ampla,vê que há outras curvas que se ajustam aos dados igualmente bem (quadro III).
O processo real , que ocorre com qualquer empresa ,é o mostrado em IV.
É extremamente simples mas não tem nada a ver com um modelo linear.Alguns pedaços dele parecem lineares e somos enganados quando extrapolamos esses pedaços para o futuro.
Schumpeter mostou isso há décadas,mas nós preferimos acreditar em xamãs.



09/03/2008

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A lógica de Gary Hamel nos leva a concluir:” é o câncer que causa o cigarro”

Recebi uma meia dúzia de e-mails de gente dizendo mais ou menos o seguinte: “quem é você para falar assim de Gary Hamel? Ele é um renomado especialista internacional etc..etc...”
Duas coisas:
1-Não dou a mínima para autoridades, portanto, não apelem ao “argumento da autoridade” para tentar me convencer de nada.
2-A lógica de Gary Hamel nos leva à conclusões falsas.Como pode uma coisa que aconteceu após o sucesso,ser a CAUSA do sucesso? Veja meu post de domingo passado(02.03) sobre o mesmo tema(pessoas felizes causam a lucratividade das empresas,ou elas são felizes porque a empresa tem lucro?).
A lógica de Gary Hamel nos leva á concluir que é o câncer que causa o cigarro, e não o contrário.

PS:fiz uma barbeiragem e sumiram 5 comentários sobre este post.Peço desculpas ao pessoal que comentou.

09/03/2008

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-Definição de gestão segundo Clemente Nobrega

Gestão são os mecanismos que têm de ser implantados para que tendências instintivas (naturais) originadas no auto-interesse das pessoas, sejam canalizadas para o interesse da empresa.
Isso só acontece se esses interesses individuais delas se casarem, de alguma forma, com os da empresa. Sem isso não sai coelho de cartola nenhuma.
Nunca acontece por exortação.
A gestão de empresas (a gestão de pessoas!) não apela para que as pessoas não sejam auto-centradas (ou auto–interessadas, ou egoístas,escolha o termo que quiser), ao contrário, ela parte do pressuposto de que as pessoas são o que são, e trata de estabelecer processos para que o interesse individual não se sobreponha ao empresarial.
+++++++++++++++++++++++
Nossa realização na empresa depende sempre de uma harmonia que temos de construir com outros, e que, portanto, nunca depende só de nós. Esses outsiders-estranhos aos seus genes e aos seus sonhos-são a chave para o seu sucesso, pois se você não souber lidar com eles, pode esquecer.
A fornalha empresarial se explica: a busca da harmonia mínima que é essencial para o sucesso (pois sem ela não se divide o trabalho) traz sempre uma contrapartida: lutas pelo poder, traições, conchavos, jogos de interesse, mágoas.....
É como diz o Caetano Velloso: “onde queres um lar, revolução”. Você quer luz, e se todos querem luz, então de onde vem esse “bafo quente” característico da vida empresarial? É que aqueles “outros”, de quem você depende para realizar seu projeto, têm os seus próprios projetos. É simples assim. As empresas são isso. Sua empresa é assim. É isso que você vive.

06/03/2008

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Uma coisa bacana da ciência...

.. é que ela não é apenas conhecimento sobre o mundo lá fora, é fonte de auto-conhecimento também.Ciência nos permite entender melhor a nós próprios. À medida que entendemos mais, nos motivamos a fazer perguntas que antes não fazíamos porque eram proibidas, porque pareciam estúpidas ou porque as respostas soavam óbvias.
Entender leva a querer entender mais, e entender mais é uma coisa ótima em si mesma.
Por exemplo: depois que ficou claro que a Terra não é o centro do universo, ficou mais fácil imaginar que nós, humanos, talvez não fôssemos assim tão especiais quanto gostávamos de nos considerar. O que seria “o ser humano” então? Uns dois séculos e pouco depois de Copérnico veio a resposta (via Darwin) que nos rebaixou ainda mais na escala cósmica, acrescentando uma camada adicional de humildade à importância que nos atribuíamos.
Ciência de verdade nos obriga a adotarmos um senso de humildade inexistente em outros domínios.Não somos anjos que decaíram, mas "macacos" que se levantaram sobre dois pés. Vale a pena tentar entender mais a psicologia desse “macaco” que veio dar em nós, pois a cabeça que temos hoje já existia nele em estado embrionário.

05/03/2008

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