Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Categorizando a inovação-(Inovação disruptiva-sabe o que é?)

Inovações que geram menos dinheiro que o usual nunca têm chance nas empresas estabelecidas. A quantidade da grana e a margem (proporção dela que fica na empresa) é que decide se a empresa vai ou não aceitar uma inovação.
-A IBM perdeu a liderança em PCs nos anos 80 porque não deu para conciliar seus processos para computadores potentes, caros e com margens de mais de 60%,com processos para PCs [performance baixa,baratos e margens de 20-30% na época].
Canon e Ricoh com suas pequenas copiadoras de mesa de margem baixa fizeram a poderosa Xerox sangrar. As motos Honda idem com as Harley Davison. Rádios e TVs transistorizados Sony acabaram com os modelos de mesa da RCA `a vávula (de quebra,acabaram com a própria RCA).
-Inovações que entram no mercado “por baixo”- (ou seja:apelando a um público que define qualidade de uma forma menos exigente )-são chamadas de inovações disruptivas. Esse mecanismo de disrupção [em inglês:disruption]- é fundamental para o progresso.
Inovações disruptivas têm performances "inferiores" ao padrão existente, são mais baratas, dão menos $$, e têm apelo a dois tipos de público:ou é gente que nunca usou o produto estabelecido por considerá-lo caro ou inacessível de alguma forma, ou é gente que só os usava por não ter opção. Clientes menos exigentes ficam felicíssimos com produtos disruptivos quando eles atendam a seus requisitos mínimos de qualidade. Quando isso acontece, os disruptivos melhoram progressivamente até que, “de repente”, passarem a ameaçar os estabelecidos.
- E pior (para os estabelecidos):essa melhoria de performance dos entrantes os leva,com o tempo,a atrair até clientes mais exigentes das estabelecidas, liquidando-as às vezes. O PC entrou “por baixo” e praticamente acabou com os mini-computadores,continuou a evoluir e atacou os computadores grandes(main frames).A South West Airlines entrou “por baixo” e evoluiu até ficar atraente para os clientes das estabelecidas.O mesmo acontece com a brasileira Gol. A Casas Bahia é a inovação disruptiva mais bem sucedida no Brasil e já atrai a classe média. A GM vai lançar um carro de US$4000,00 no mercado chinês. Quer aperfeiçoá-lo e chegar às camadas menos exigentes dos mercados americano e europeu.A Tata motors lançou um de US$2500. Foi assim que as mini-usinas siderúrgicas(Nucor )usando tecnologia rudimentar começaram produzindo só vergalhões(baixa qualidade e baixa margem),não foram molestados porque as US Steel da vida não tinham interesse nesse segmento.Pouco a pouco foram produzindo barras anguladas, chapas,aços especiais até encurralarem as grandes que estão à beira do precipício hoje.
-Inovações disruptivas têm sido essenciais para reduzir custos, ampliar o acesso e melhorar qualidade em todos os setores.Têm um campo fertilíssimo no Brasil,em minha opinião. É uma saída para assistência médica e educação
-Portanto, dizer que inovar é sempre fazer “melhor” ou “aprimorar” é errado. Em muitas circunstâncias inovar é fazer “pior” do que o padrão estabelecido. É, na verdade, criar outro padrão de qualidade.
-Ao fazer o que tem de ser feito para preservar suas margens e manter felizes seus clientes típicos, as empresas pavimentam o caminho de sua própria disrupção, que, no caso extremo, é sua destruição. Ouvir seu cliente e fazer o que ele quer é um perigo.Cuidado.

14/04/2008

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Respondendo a um leitor..
(ver comentário ao post abaixo)

Pedro
As empresas não são sensatas.Empresas estabelecidas são inerentemente conservadoras(empresa estabelecida é a que está no mercado por tempo suficiente para ter se acostumado com uma certa forma de ganhar dinheiro).O medo de perder o que já conquistaram é maior que a perspectiva de ganho novo via "inovação disruptiva". Essa é uma das razões pelas quais elas preferem,em geral,crescer por aquisição de outras empresas,não inovando.Kahneman estava certo quanto a isso também.
Quando você ouvir alguém fazer elogios ao espírito inovador de uma empresa estabelecida ,pode apostar que não está falando de inovação disruptiva .
Gestores não arriscam nada que possa ameaçar a carreira que construíram.Isso não é uma coisa 'brasileira",é uma coisa humana.Inovações disruptivas (post abaixo),por definição, são sobre mercados que não existem.Portanto,não podem ser quantificados.Sobre elas,ninguém consegue responder às questões básicas:
a-Qual o tamanho desse mercado?
b-Quanto desse mercado podemos capturar?
c-Qual a margem que conseguiremos ter?
Empresas iniciantes são disruptivas naturalmente,pois nada têm a perder.Empresas estabelecidas têm muito a perder e,por isso,só inovam disrutivamente se tiverem um LÍDER que banque o risco da inovação.

15/04/2008

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A empresa -esse “animal” que evoluiu, é a maior inovação de todos os tempos

É um bicho recente. Surgiu há uns 150 anos,não foi planejada e ninguém previu que ia se tornar o que é hoje:a principal tecnologia de produção de riqueza e progresso.
Até hoje é uma instituição ,de certa forma,apenas “tolerada” -a sociedade não ama a grande empresa, apenas a atura.
Todo mundo deita e rola em cima dela(desconfiados de um poder que ela não tem),políticos,ONGs, grupos de ativistas de vários matizes e ideologias.
Todos estão errados,a empresa-a grande empresa de capital aberto com muitos acionistas-é uma instituição fundamental para a sociedade.
Minha maneira de pensar a empresa é considerá-la como parte das ferramentas que os humanos usam para fazer as coisas que gostam de fazer instintivamente-neste caso, acumular posses, obter ganho por meio de transações comerciais que, no início, eram transações de troca e, depois, passaram a ser de compra e venda.
Comerciar é algo que está no cerne da civilização, e existe desde que humanos são humanos. Precede o estado,a lei, a escrita, o dinheiro..Todas essas coisas surgiram depois,e surgiram para dar forma e suporte ao instinto de comerciar.
A empresa moderna- a grande corporation global de hoje, surgiu com um único objetivo: instrumentalizar (arghh...) nosso humano instinto de acumular posses. E surgiu (não dá para negar) na esteira de escândalos, corrupção, e fraude em suas primeiras formas de existência (muito tempo antes).
Esse bicho-a empresa- gerou crias pelo mundo extamente por ser ótimo instrumento de produção de riqueza em larga escala e, meus amigos, ficar rico é um instinto extremamente mobilizador. Ter coisas, acumular posses,é motivação mais que suficiente para o animal humano- ele irá atrás de qualquer promessa que leve a isso.Irá em bandos.
É assim com a Internet hoje.Foi assim com o telégrafo e com a estrada de ferro ontem.Foi a estrada de ferro-uma tecnologia que demandava muito capital-que motivou a criação da empresa.
O milagre da coisa foi o seguinte: multidões de investidores entram com pequenas porções de capital, a empresa capta bilhões para investir em seus projetos em troca da promessa de multiplicar aqueles dinheirinhos de cada Zé Mané. O Zé Mané tem pouco a perder e muito a ganhar.Se perder,perde apenas o que colocou na empresa.Se ganhar,pode ficar milionário.Bom negócio né?
Esta forma de organização de origens tão utilitárias,tão egoístas,é a inovação das inovações.
Todos devemos respeitá-la e defendê-la,ao contrário do que alguns (muitos,na verdade) bobos pensam. Desde que foi inventada, a empresa esteve na defensiva, como se sentisse culpada por algum pecado -o pecado de ter como finalidade gerar dinheiro,riqueza, posses.Chame como quiser,mas é isso.Tem gente que é contra.São ignorantes da natureza humana.Ser contra um instinto,é como ser contras as fases da lua. É inútil.
Em minha opinião, todo mundo que estuda administração de empresas deveria partir dessa visão naturalista dela.
Nunca entenderemos a empresa sem entendermos as motivações humanas mais primitivas. E,sem entendê-las,como administrá-las?
Empresas são sobre gente que ,motivada pelo auto interesse,acaba produzindo o bem comum.
O que temos de explicar é isso:como pode uma invenção motivada pelo desejo de ganho individual, ter produzido, e continuar a produzir, tanto benefício para a sociedade ?Algum palpite?

15/04/2008

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O diretor aloprado

Haroldo Lima, o diretor da ANP que anteontem deu declarações que agitaram o mercado de ações, deveria ser demitido por incompetência e ignorância. Alguém que disse o que ele disse, e se justifica da forma que justificou, seria demitido na hora em qualquer lugar em que competência contasse alguma coisa.
Haroldo Lima diz que se a bolsa subiu (especulativamente) por causa de suas declarações “o problema é da bolsa-foram os especuladores que quiseram especular”. (Esta,leitores,é ,fácil, a declaração mais estúpida do ano,e olha que a concorrência é grande,hein).
Haroldo Lima é diretor de uma AGÊNCIA REGULADORA e não sabe para que agências reguladoras existem.
Haroldo Lima deve ser “contra a bolsa de valores” (ha-ha-ha), “contra o dinheiro” (he-he-he) ,“contra o neoliberalismo”(qua-qua-qua).Certamente é contra as fases da lua também.
O cara parece ser do tipo comuno-xiita, um pessoal que não impressiona muito pela inteligência (leio que é do partidão, o que também revela algo).
O que Haroldo Lima faz numa agência reguladora de mercado, se, comunas como ele são contra mercados? Quem nomeou esse gênio?Por que foi nomeado?
As declarações de Haroldo Lima revelam burrice arrogante, a pior das formas de burrice, pois é dolosa, é intencional.
Hei, Haroldão, pede pra sair.


16/04/2008

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Empresas são como sexo

Elas existem para dar vazão ao instinto humano de comerciar.
Como sexo, auto-preservação, auto-transcendência... comerciar é um instinto.Sexo pode se associar ao bem e ao mal (pedofilia não é uma invenção pós-internet). Religião idem (malucos fanáticos ,matam e se matam em nome dela).
NÃO HÁ GRUPO HUMANO,POBRE OU RICO, CIVILIZADO OU PRÉ HISTÓRICO, que não instrumentalize (detesto esta palavra) seu instinto de auto-transcendência por meio de rituais,cultos,igrejas,religiões ..
Também NÃO HÁ GRUPO HUMANO,POBRE OU RICO, CIVILIZADO OU PRÉ HISTÓRICO que não manifeste o instinto de comerciar.
Religião,comércio,sexo são coisas que os humanos “fazem” instintivamente,e,para isso,criam ferramentas e tecnologias (ou se apropriam de tecnologias criadas para outros fins).
Uma catedral é uma ferramenta construída pelo instinto de auto-transcendência; uma religião, é uma tecnologia para o mesmo fim.
Não foi um tarado que inventou a Internet,no entanto, ela está sendo usada extensivamente para sexo (comércio e religião também).O telefone também é usado para os mesmos fins.O telégrafo também foi.
Exércitos são instituições que surgiram para instrumentalizar o instinto de auto-preservação e poder (defesa do seu território,conquista de territórios vizinhos).
Isso significa que valha tudo para obter sexo?Significa que toda prática dita religiosa é saudável? Que é legítimo sair invadindo para acumular poder ,ou,como Hitler, conseguir mais “lebensraum” ?
As instituições da sociedade regulam nossos instintos e permitem a vida civilizada.O direito,é um exemplo.Todo o aparato regulatório do estado, também. Essas instituições surgem porque humanos não são confiáveis-tendem a perverter seus instintos.A vida civilizada só é possível por causa das instituições que disciplinam e enquadram,na marra,nossos instintos animais.
Não estou dizendo que instintos sejam “ bons ou maus” estou dizendo que existem , que a sociedade tem dado vazão eles por meio de vários tipos de instituições,e que outras instituições surgem para,digamos, enquadrá-los.
Acho tolo negar nossa animalidade. Burrice fingir que podemos eliminar nosso viéses reptilianos.Não somos anjos que decaíram,mas macacos que se ergueram sobre dois pés.
Não sou um admirador desse “serumano” que virou moda badalar.Não acredito “nas pessoas “ assim,em abstrato,nem sou fã desse “bom-mocismo” empresarial a que chamam responsabilidade social corporativa;desconfio dele.
De todas as grande instituições que surgiram para servir de instrumentos aos nossos humanos instintos, a empresa é a mais nova.
Comerciar é instinto.Trocar,comprar e vender (to trade, em inglês).Na empresa, o instinto de comerciar é que é o negócio (sem trocadilho),e ,como os demais,também pode ser pervertido. Portanto tem de ser enquadrado por normas sociais.
Hoje,como ontem,como sempre,ela é vista com desconfiança,olhada de esguelha.No século passado não havia MacDonald´s mas já tentavam "depredar" os "MacDonald´s" de então.
O movimento da responsabilidade social corporativa,hoje amplamente vitorioso, é uma espécie de tributo que as empresas pagam à virtude, porque parece que se consideram pecadoras.Não deviam se considerar.
Minha posição é a seguinte:a empresa é a tecnologia mais importante já inventada pelos humanos.Sua origem é egoísta, sua história está cheia de pecados graves como,aliás, as histórias dos exércitos, das igrejas, dos governos, dos sindicatos,de quaisquer outras instituições humanas.
Não devemos demoniza-la (seria inútil) ,mas apenas para que obedeçam à lei.
Vocês gostariam de saber mais sobre como esse animal chamado "empresa"evoluiu"?
Peçam que eu conto.

17/04/2008

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Leiam abaixo-

-EMPRESAS SÃO COMO SEXO--uma resposta ao comentário do leitor Ezer,dois posts a baixo.
--O DIRETOR ALOPRADO--um comentário sobre o "gênio"Haroldo Lima,diretor da Agencia Nacional de Petróleo que não sabe o que é uma agência reguladora.

17/04/2008

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Três livros ruins que vocês devem ler

Há uma mentalidade(inspirada por retórica ideológica) que ,há décadas, tenta disseminar idéias conspiratórias sobre as empresas. Empresas,empresários,grandes corporações,são a encarnação do mal segundo essa turma.Invadem mentes de forma sorrateira,influenciam governos,mandam e desmandam
O exemplo mais antigo é o livro The Hidden Persuaders-um clássico da enganação.

Segundo ele ,as empresas manipulam pessoas como eu e você(indefesas,desinformadas,coitadinhas),fazendo-as beberem Coca-Cola,apesar delas detestarem Coca-Cola. Manipulam nossas mentes obrigando-nos a frequentar o MacDonald's ,apesar de odiarmos o MacDonald's...Empresas são especialistas na "persuação oculta"
Há muitas variações dessa idéia (idiota) da década de 50,que, se um dia pareceu verossímil,hoje é simplesmente ridícula.
Outro livro é No Logo ("Sem Logo",no Brasil) de Naomi Klein.É a mesma churumela:"as grandes multinacionais nos invadem com suas marcas,induzem crianças a quererem consumir seus produtos, manipulam tudo e todos como a uma manada".

O clássico neste tema é "The Corporation-a busca patológica de poder e lucro"- de Joel Bakan.
Esse é mais virulento.Para ele, a empresa - a grande corporation-é pior do que simplesmente má, ela é ,por natureza, PSICOPATA. Envolve,faz charme,seduz com um único objetivo:"fu..k you"- explorar a qualquer preço,ganhar dinheiro em cima de nós.Faz qualquer coisa para isso:frauda,mente,mata.
Recomendo esses três livros.Quem quer exercitar o pensamento crítico,deve lê-los.São péssimos,mas influenciam (são best sellers);leia-os ,pense, forme sua opinião, e compare com o que vou dizer aqui.
Empresas não são intrinsecamente más. As grandes,por mexerem com muito dinheiro,podem exercer poder de pressão,lobbies etc..mas estão longe,muito longe, de terem o poder que o folclore lhes atribui.Vou mostra isso neste blog.
Idem para essa idéia estúpida segundo a qual as grandes corporações são maiores que muitos países (comparam receitas de empresas com PIBs de países,um escândalo de ignorância!)
Um dos efeitos mais benéficos da globalização é impossibilitar falcatruas de empresas.
Você dá uma poluída "inocente" num lago/rio,joga um oleozinho básico no mar ,e o mundo fica sabendo; dá na CNN e suas ações na bolsa vão para o brejo.
Você contrata funcionários a salários aviltantes,e a opinião pública ,ONGs,TV,Jornal vem em cima..
Você faz um carro cuja porta prende o dedo do usuário (eventulamente o decepa; ah esses usuários descuidados!), aparece no Jornal Nacional,e você tem que fazer um recall.
É muito mais difícil fazer maldade impunemente hoje. A razão é simples:todo mundo fica sabendo logo.Essa é a melhor regulação que existe-a regulação do mercado.
Ao contrário da lenda,grandes empresas vivem apavoradas com o poder do mercado.


18/04/2008

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Um livro muito bom que todos deviam ler


Se você está interessado na história do "animal empresa",leia este livro.
É um ótimo contraponto à virulência tola, infanto-esquerdista, de "The Corporation","No Logo" etc...
Aqui você vai ver como a sociedade acabou aceitando de braços (mais ou menos) abertos, essa máquina de gerar desenvolvimento.
É isso mesmo:ás vezes ela é um animal selvagem;ás vezes ,um animal domesticado,ás vezes é uma máquina,um robô.
O fato é que sem ela nada rola.
Sua história é "amor e ódio";sua relação com a sociedade é cheia de ambivalências desde sempre.
A Inglaterra a tornou fora da lei após uma séria de falcatruas que cometera,só para legalizá-la novamente décadas depois.
Os EUA,mais pragmáticos,foram o primeiro país do mundo a permitir que o "animal" se concentrasse apenas em "ganhar dinheiro",livrando-o de qualquer obrigação legal de "fazer o bem","contribuir socialmente" etc...Teria sido essa uma das causas da riqueza americana?Para mim foi.

A história da grande corporation é a história de nossa humana luta para domar nossos instintos mais primitivos e possibilitar um convívio social decente.

21/04/2008

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Charles Darwin e Adam Smith- as duas melhores idéias de todos os tempos



Já disse aqui que considero a idéia de Darwin (evolução via seleção natural) a melhor idéia que alguém já teve.
Até Darwin era impossível deixar de postular a existência de um ser superior para explicar a complexidade organizada. Ele mostrou que não é necessário designer nenhum,o que desenha a complexidade da vida(dando a impressão de que há uma intenção por trás),é um algorítimo-um processo matemático,sem mente,sem intenção,que se desenrola automaticamente.
Que idéia espantosa!
Apenas observando um sistema nervoso, um pulmão, um coração,um embrião, ninguém chegaria à verdade: “isso foi feito pela matemática, mas não havia matemático, não havia ninguém por trás”.


A segunda melhor idéia que alguém já teve ,é,para mim, a de Adam Smith.
Ela diz que para a vida civilizada se instaurar não é necessário altruísmo, você não tem que agir deliberadamente para “o bem comum”, não tem que ser desprendido, não tem que ser “bom”,basta que persiga seu auto-interesse. Como?
Se todos buscam seu auto-interesse vai haver uma acomodação natural (de auto- interesses) e eles ficarão automaticamente sob controle.
O interesse do padeiro é vender cada vez mais pão, mas ele não pode fazer qualquer coisa para isso; não pode usar massa estragada, por exemplo, pois, se agir assim,seus cliente não voltam.Seu auto-interesse é regulado pelo de seus clientes.Pelo mercado.
A maneira de controlar nossos instintos mais regressivos, é garantir que todos fiquem sabendo das falcatruas. Fraude só dá resultado se não há punição.
Esta idéia é ainda mais importante na prática que a de Darwin, pois tem uma influência enorme em nossas vidas.
Assim como a de Darwin, ela é totalmente contra-intuitiva (ninguém esperaria uma coisa assim ,como ninguém conseguiria imaginar que pudesse haver design sem designer).
Ela é mais importante, porque pode ser usada em gestão de empresas, em formulação de políticas públicas.
A idéia de Adam Smith é a mais importante de toda a teoria econômica. É ela que explica e prevê episódios como a falência da antiga União Soviética. É ela que nos diz que fenômenos como o da globalização são praticamente inevitáveis. Ela nos diz que a única maneira de uma ditadura se manter, é proibir que se fique sabendo de seus delitos. Mas,com a Internet,com as tecnologias de comunicação,isso fica cada vez mais custoso, é cada vez mais difícil se esconder.
China ,Cuba tendem a se tornar democráticos (forçados).Vejam o que os episódios com a tocha olímpica sinalizam .Vai acabar acontecendo.

21/04/2008

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Clemente, você é contra a responsabilidade social das empresas?
Você prega o pragmatismo empresarial do tipo americano?


Vamos lá. Eu sabia que não daria para fugir do tema. Por partes.
O que ocorreu nos EUA foi o seguinte: diante das enormes possibilidades que a nova tecnologia “estrada de ferro” oferecia (empregos,comércio,desenvolvimento no início do século XIX) ,os estados começaram a competir para atrair empresas em condições de investir as enormes quantidades de capital que eram necessárias para isso.
Um desses estados (Delaware) liberou geral,ou seja, liberou o "animal" de qualquer obrigação que não fosse oferecer bons retornos a seus acionistas. As empresas podiam se instalar lá e se concentrar totalmente em fazer negócios-nada de restrições em termos de àreas de business em que poderiam atuar,nada de contrapartidas sociais que teriam de oferecer etc...O risco era delas, o retorno também.
Sabem o que aconteceu? As empresas correram para lá, e outros estados, para não perderem o bonde (ou melhor,o trem), tiveram de fazer o mesmo(foram forçadas a fazer o mesmo ).
Não houve nenhum movimento organizado, nenhum "conciliábulo" de capitalistas que arrancou essa concessão do estado de Delaware à força.
A opinião pública ,em geral,não era a favor. Os políticos não eram a favor. Sempre houve desconfiança quanto à empresa (mesmo nos EUA), mas o capitalismo americano impôs-se a partir dessa decisão quase acidental do estado de Delaware (New Jersey também) e floresceu.
Esse “truque” -deixar a empresa captar pequenas somas de um monte de Zé Manés, usar o dinheiro deles para investir, e devolver mais do que os Zé Manés tinham aplicado-revelou-se bom demais para ser ignorado.
Humanos tendem a gostar muito de tudo que os possibilita fazer mais daquilo que eles fazem por instinto.Ganhar dinheiro é uma dessas coisas,principalmente se o risco é baixo.
Um leitor me pergunta se sou contra as empresas manifestarem responsabilidades sociais. Não sou contra, apenas acho tolo e enganoso o discurso: “minha empresa não se preocupa só com lucro, preocupa-se com questões sociais também”.
Vamos começar com o “enganoso”.Enganoso por quê?
Porque parte de um pressuposto falso que é:”empresas que se preocupam primariamente com lucro não geram benefícios sociais.É isso que dá a entender, e isso é 100% errado.
Empresas que operam dentro da lei, respeitando as regras da competição,submetidas à regulação ,e dão lucro, trazem um enorme benefício social.
Me diz uma coisa:de onde veio o enorme aumento de prosperidade nos últimos 100 anos (no mundo todo)?Qual foi o motor do aumento da expectativa de vida? Do aumento de renda percapita?
Essas coisas melhoraram a níveis inimagináveis, e melhoraram para todos, mesmo para os pobres. Um operário em qualquer país industrializado ganha hoje muito mais do que ganhava há 100 anos (com todas as correções feitas).Muito mais.
Foi o estado que propiciou isso? Foi o marxismo?Foram as revoluções realizadas por pessoas preocupadas com o “bem comum”? Foram os que achavam ser seu dever salvar a humanidade do flagelo do capital?
Sei que vou ter que voltar ao tema neste blog, mas “lucro” por si mesmo gera progresso sim senhores, e não só para os “capitalistas”, mas para a sociedade em geral.
Agora o “tolo”.
Acho uma bobagem esse negócio de “minha empresa é mais socialmente responsável que a sua, pensamos mais no planeta(argh...) que a sua,reciclamos mais que a sua, emitimos menos, não mentimos para nossos funcionários, não adotamos trabalho escravo, respeitamos o consumido etc e tal.”
Para quê ficar repetindo isso?
A maior parte dessas coisas é apenas boa gestão. As empresas se dão melhor respeitando o consumidor, não mentindo para seus empregados etc....
Outras,são coisas coisas que qualquer empresa decente faz.Tem a ver com aquelas atitudes que aprendemos em casa, de nossos pais e avós. Decência. Para que badalar isso?
Imagine a impressão que daria se eu me apresentasse assim:
Boa noite.
Sou Clemente Nobrega, físico,escritor,consultor e palestrante.

Ah, ia esquecendo...Quero que saibam que sou também um não- estuprador,viu?”.


22/04/2008

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Colaboração sim,mas por interesse...

Ainda tenho que de explicar como é que é isso de pessoas, cujas motivações mais básicas são auto-interesseiras (talvez melhor:auto-interessadas),produzirem comportamentos cooperativos.
É só o olhar em volta. Há cooperação por toda parte.O mundo não é uma selva.
Somos simpáticos a estranhos,prestamos favores,somos gentis,confiamos que motoristas vão parar no sinal vermelho, e eles param (a maior parte das vezes),compramos pela Internet (de gente que nunca vimos),entregamos nossas vidas a pilotos de avião (e motoristas de táxi) que nem sabemos quem são.
Segundo a idéia central que defendo para a gestão, essas coisas não podem ter se instaurado naturalmente nos humanos. Fazemos isso porque aprendemos ,de alguma forma,que isso nos seria vantajoso.
Não se choque (você ainda não viu nada).Colaboração não é “natural” (no sentido em que fazer sexo e se alimentar são), mas está aí.Como pode?
Para entender a empresa moderna temos que entender que colaboramos,sim,mas por interesse,não por altruísmo.A ciência pode ajudar a entender isso.Vou falar de uma série de experimentos recentes (simulações em computador) que mataram essa charada.Mas antes,para preparar o terreno,vamos ver mais da evolução desse “bicho”-a empresa

23/04/2008

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Se você der uma olhada na evolução desse "animal" (a empresa) vai ver que aqueles bandos...

... de caçadores de mamutes,na pré história, acabaram dando no que se chama hoje de empresas de responsabilidade limitada (limited liability corporation)-um tipo de organização que se tornou a maneira mais eficiente para organizar o trabalho em grupo de forma obter máxima produtividade-uma coisa que os grupos humanos buscaram desde sempre.
Isso só aconteceu na primeira metade do século XIX.
Para confirmar que o animal humano pensa primariamente em si e só “nas horas vagas” nos outros, essas organizações só funcionam bem porque engenheiram em sua forma de operação, uma série de providências de modo a tornar mínimo o risco.
Risco? Sim, risco. O principal deles é o oriundo do fato de sermos humanos.É o de sempre:o que funciona, funciona porque se descobre formas de contornar nossos viéses, não porque os eliminam.Vá lendo que vou explicar.
Uma série de descobertas recentes têm mostrado que:
a-O que leva empresas, pequenas ou grandes, a operarem com eficiência, é seus donos perceberem claramente que podem ganhar (dinheiro!dinheiro!) com elas.
Ou seja, elas têm de ter donos.
Sem donos (concretos, individuais) a motivação oriunda do auto-interesse não entra em cena. Sem essa motivação TODOS perdem.Sem ela, a eficiência é sempre muito mais difícil.
Empresas eficientes não podem ser “de todo mundo”, não devem ser da “sociedade”, assim, abstratamente, porque tornam-se rapidamente “de ninguém”. Elas têm que ser claramente “de alguém”.
Empresas que são de todo mundo (como as estatais) são, em geral, menos eficientes que suas contrapartidas “egoístas” (a redescoberta dessa verdade elementar foi o que levou à onda de privatizações do final do século XX).
Há uma montanha de evidência para confirmar isso.
A antiga União Soviética desmoronou (com um barulhão audível no mundo todo) por causa do seguinte: ela não conseguia ganhos de produtividade, a riqueza não aumentava. Suas empresas eram “de todo mundo”, e não havia incentivo para a inovação, pois os ganhos iriam para “todo mundo”.
É fundamental que alguém -individualizável- seja dono.
O nome disso-direito de propriedade- é o pilar central do capitalismo.O fato de que esse sistema tenha prevalecido sobre as alternativas que,um dia, se imaginaram possíveis é ,para mim, uma prova empírica,irrefutável, do seguinte:quer progresso,riqueza, melhoria dos padrões de vida das pessoas? Desenhe um sistema que parta do auto-interesse delas, se não ,não vai dar certo.

23/04/2008

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