Clemente Nobrega, pesquisador de gestão e estratégia, autor de Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?, entre outros livros, e do site clementenobrega. com.br.

 
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Dinheiro,sucesso e heróis (III)-
Encontros de família podem ser terríveis


Na casa dos sogros você encontra aquele seu cunhado (“que está se dando muito bem”), e começa a detectar sinais inequívocos de frustração em sua mulher. Por um instante, ela teme ter casado com um perdedor,mas logo se lembra da lógica da sua profissão:você é um pesquisador.
De qualquer maneira,ela tem de lutar contra um impulso instintivo de frustração e desalento. Sua irmã não para de falar na reforma do big apartamento que compraram no Leblon-”papel de parede para mim tem que ser importado. As marcas brasileiras não chegam aos pés das européias”.
Na volta para casa, sua mulher estará um pouco mais silenciosa do que de costume.
O que você deve fazer?
Mudar-se para a Austrália e ,com isso, evitar reuniões de família?
Mudar de cunhado,casando-se com alguém que tenha um irmão menos “bem sucedido”?
Você trabalha em um projeto que não dá gratificação imediata. Pessoas à sua volta escolheram atividades que dão.
Essa é a vida dos cientistas,artistas,escritores e pesquisadores, que vagam pela sociedade.Para proteger-se da crueldade do mundo, deviam viver isolados em comunidades de iguais, ou em colônias de artistas.
Mas será mesmo?
Como seria um herói em quem os não “bem sucedidos” pudessem se inspirar? Vou dizer no próximo post.
Não vou dizer para que você “nunca desista de seus sonhos”.Não vou recomendar que olhe os exemplos dos caras que nasceram pobres e ficaram ricos. Nada de “se você desejar intensamente o universo conspirará a seu favor”(fala sério!)...Não aconselho nada que,vagamente , cheire a “paulocoelhismo”(continua)

(este post e o anterior são traduções livres de trechos de “The BlacK Swann” de Nassim Taleb).


04/06/2008

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Meu senso de “HERÓI”

Numa coisa o acaso não se mete: no seu comportamento.
Você pode ESCOLHER e EXERCITAR certa elegância pessoal na vida. Creio nisso.
Não significa não ter inveja, ou desejos inconfessáveis. Não significa não ser humano. Significa SABER que você-como todos- é “amputado” de alguma coisa, e que é esse buraco que define sua humanidade.Nós somos nossos viéses,somos falhos by design.
Não caia no ridículo de fingir que você não é assim.Ridicularize agressivamente os fanfarrões que dizem que não são. Despreze-os com superioridade elegante, não com fanfarronice simétrica à deles.
Fuja da indigência esquerdista.
Não divida o mundo entre “bons” e “maus”. É estúpido. Não ataque os “ricos”,os “banqueiros”,”os poderosos” (eles merecem,mas não perca seu tempo com raivinhas).Não mitifique os “pobres” nem os excluídos (índios,negros..).De perto ninguém é normal.
Ataque o antiestético.
Estética é fundamental.
Em religião, se quer saber,curto as catedrais,os vitrais,o cheiro de vela queimando, o incenso,o som do órgão e o canto gregoriano.Rejeito o discurso religioso seja de quem for (papa,bispo/bispa,rabino, pastor,aiatolá,mulah...e seus respectivos livros sagrados).Nem vem que não tem.
Heroísmo para mim não é vencer batalhas; sucesso também não. Heroísmo é comportar-se heroicamente INDEPENDENTEMENTE do resultado das batalhas que você luta (o herói épico da literatura é assim, aprendi com Nassim Taleb;não sabia).
Seja você a dar as cartas. Seja você quem toma a iniciativa.
Se você permitir que outros definam o que é “sucesso” para você, desculpe, mas você merece ser sacaneado pela vida.
Podemos ,como na fábula de Esopo, dizer que as uvas que não estão ao nosso alcance estão podres,mas isso seria despeito(antiestético).Rejeite “uvas” em geral.Lixe-se para “uvas”,mas faça isso em silêncio,não faça propaganda de você mesmo(ver abaixo).
Demita os que poderiam demitir você (se tiver coragem).
Tenha coragem,pô!Abandonar um emprego bem pago, se a decisão for sua,vai ser muito melhor,do que a utilidade do dinheiro envolvido (pode parecer maluquice,mas eu tentei e funcionou [Taleb e eu]).
Agora, não banque o bom rapaz (nice guy).Não fique lembrando a seus amigos como você é corajoso.Não faça o discurso de como você “optou” por menos dinheiro,”apesar” de ter a chance de ficar milionário.Se tiver de falar disso,fale sem afetação de heroísmo e mude logo de assunto.
Desapegue-se do que possam pensar de você.Treine isso.
Virtude e holofote não combinam. Virtude tem que ser silenciosa.
O cara que doa sangue, e faz questão de que todo mundo saiba disso, é um babaca. Finge casualidade, mas quer faturar prestígio- ”segunda feira não posso, tenho que doar sangue”. Antiestético.Torto.Deselegante.
Como Millor Fernandes, não acredito em ninguém que lucra com o seu ideal .Desconfio de jogadores de futebol, artistas e famosos em geral, que vivem posando de defensores de causas “bacanas”.
Todos querendo nos salvar desinteressadamente, né?
São,claro,contra guerras ,defendem o “verde”,o “planeta”,as “crianças”, a “responsabilidade social corporativa”.Só causas nobres.
“Vou sim, mas só se tiver fotógrafo”.
+++++++++++++
Próximo post:
>"O acaso te pegou.Você perdeu.Como se comportar diante do pelotão de fuzilamento"

05/06/2008

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Guia de auto-ajuda por Clemente Nobrega-como comportar-se diante do pelotão de fuzilamento.
-(heroismo não tem nada a ver com “chegar lá”).

Sucesso tem que ser definido pela forma como você se comporta, “chegue você lá” ou não.
Esta é minha máxima existencial.
Penso assim porque sei que não importa quão inteligente ou preparado você seja- o acaso (randomness) terá sempre a última palavra.
Você pode perder;pode não "chegar lá" (o assalto, o raio, o caminhão que cruza a pista ,o fracasso profissional,o câncer..).Black Swanns existem,amigo.
Meu leitor Alvaro Augusto, em comentário ao post abaixo lembra Viktor Frankl, o sobrevivente de Auschwitz : "a derradeira liberdade .. é a capacidade de escolher a atitude pessoal que se assume diante de determinado conjunto de circunstâncias.”Frankl teria sido herói mesmo que não tivesse sobrevivido.
Só nos resta DIGNIDADE PESSOAL como solução.
Dignidade definida como um protocolo de comportamento que não depende das circunstância imediatas.
Tente agir da seguinte forma (Nassim Taleb,tradução livre):
Mantenha-se altivo no dia de seu fuzilamento. Barbeie-se com capricho e ponha seu melhor terno. Diante do pelotão mantenha-se erecto e orgulhoso.
Não se faça de vítima se o diagnóstico for câncer (não fale com ninguém. Só divida a informação com seu médico.Isso vai poupá-lo das platitudes dos amigos, e ninguém vai tratá-lo como vítima que precisa de piedade)
[obs:Nassim Taleb teve câncer na garganta.Recuperou-se].
Seja extremamente cortês com sua secretária no dia em que aquele negócio não sair, ou quando você perder dinheiro.Tente não culpar ninguém por seu fracasso, mesmo que mereçam.
Nunca (jamais!) demonstre auto-piedade (nem mesmo quando sua namorada trocar você por aquele personal trainer saradão de ar abestalhado).
Não reclame.
Lembre-se:o único artigo sobre o qual a “lady fortuna” não tem controle, é seu comportamento.
Boa sorte".


07/06/2008

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Em resposta a vários comentários de leitores no post abaixo
Nassim Taleb (uma importante inspiração atual) diz:

“... é necessária uma coragem enorme para a introspecção para o confronto com você mesmo, para que se aceite as aproprias limitações- a ciência está descobrindo mais e mais evidência de que nós fomos desenhados pela mãe natureza, para nos enganarmos a nós mesmos”.
Isso é perfeito. Cai como uma luva no mundo empresarial.

08/06/2008

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Ernest Shackleton
Na vida, herói não é quem vence batalhas, herói é quem se comporta heroicamente independentemente do resultado que alcança.



Melhor:herói, é quem vence a batalha que ele próprio definiu como valendo a pena ser vencida (criar os filhos com um salário miserável,até a universidade, por exemplo).
Mas, se para você(viciado em Indiana Jones),herói tem de estar envolvido em histórias épicas,recomendo o navegador inglês Ernest Shackleton.
Ao convocar tripulantes para uma expedição, ele colocou no Times de Londres,em Dezembro de 1901,o mais antimarketeiro anúncio de que já ouvi falar:

”Precisa-se de homens para jornada arriscada.
Salário baixo. Frio cruel.Longos meses em completa escuridão.Perigo constante.Volta não é certa.
Honra e reconhecimento em caso de sucesso”.


Uma exposição no American Museum of Natural History, em 1999 documentou uma viagem sua em 1914 para a Antártida.Talvez,a maior epopéia de sobrevivência na história das expedições.
Na volta para o continente, seu navio –o Endurance- ficou preso no gelo.Ficou preso por 10 meses.
Congelou.Foi esmagado e destruído pela pressão.
A tripulação teve de abandonar o barco. Depois de estarem acampados no gelo por 5 meses, Shackleton fez duas viagens em bote aberto, uma das quais- uma traiçoeira jornada de 1300km pelo oceano até as Ilhas de South Georgia- é considerada uma das maiores jornadas de bote história.
Escalando as montanhas da ilha, Shackleton chegou a uma remota estação de pesca de baleias, organizou o resgate e salvou todos os homens que tinha deixado para trás.
Shackleton não “chegou lá”,mas foi um herói.Desde o início ele definira o tipo de heroísmo que valeria a pena para ele.


08/06/2008

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Minha coluna na ÉPOCA NEGÓCIOS de junho trata da origem e evolução de uma das maiores inovações de todos os tempos- a empresa em si.

Ninguém previu que a grande corporação de capital aberto (que começou como atividade marginal e passou décadas fora da lei), iria se tornar a mais importante tecnologia para produção de riqueza e melhoria de condições de vida em todo o mundo.
Leia
AQUI.


09/06/2008

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Ainda minha coluna deste mês-lembra da teoria dos jogos?

A empresa é uma inovação decisiva,porque é a melhor ferramenta já inventada para aumentar a produtividade em larga escala,e isso é do interesse de todos os jogadores.Foi por isso que a sociedade acabou aceitando-a (muito a contragosto) -os efeitos que a empresa gera são bons demais para serem ignorados.
Mas não basta dizer que foi a divisão do trabalho que gerou o progresso humano, temos de nos perguntar o que foi que garantiu “divisão do trabalho” de forma duradoura.
A colaboração iria rapidamente entrar em colapso se os envolvidos percebessem que poderiam desfrutar dos benefícios sem contribuir pessoalmente para isso.
A mentalidade “pegar carona” no esforço dos outros é parte de nossa psicologia.
Para que acontecesse a colaboração em graus progressivamente mais sofisticados, duas coisas são necessárias, e a evolução equipou os humanos com ambas : “a primeira foi um capacidade intelectual de raciocinar-fazer estimativas racionais.
A segunda foi o instinto de reciprocidade - pagar o bem com o bem e a traição com vingança, mesmo quando o cálculo racional pudesse aconselhar outra forma de agir”.
Cálculo racional sem reciprocidade favorece a trapaça: eu recebo e não retribuo. Isso mina a confiança, e a cooperação vai rapidamente se decompor.
Por outro lado, a reciprocidade sem cálculo – colaborar sem avaliar se vale mesmo a pena colaborar-favorece a exploração por parte de outros. Se você é ingênuo e colabora sempre,independentemente do que o outro faça, é certo que você vai ser explorado.
Para que a divisão do trabalho possa acontecer de forma sustentável(ou seja,pra aue a empresa possa funcionar), cada parte envolvida precisa de ambos os instintos: calcular e praticar a reciprocidade(“reciprocar” ,como dizem,arghh). Um contrabalançando o outro.
É assim que mantemos sob controle a tendência de alguém querer se dar bem à custa do trabalho de outros. Seja alguém explorando o trabalho de muitas pessoas, seja alguma pessoa do grupo pegando "carona" no trabalho dos colegas. Ninguém vai explorar ninguém porque ninguém se deixará explorar e, com isso, se atinge certo equilíbrio funcional.
Em qualquer empresa a necessidade de equilibrar essas duas características -cálculo racional e reciprocidade- é prioridade da gestão de pessoas.

11/06/2008

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O Brasil pode inovar ?

Quer dizer, podemos entrar numa espiral sustentável (arghh!!) de geração de riqueza nova (inovação)?
Resposta, curta e grossa:não,não podemos .Por quê? Porque a condição número 1 para isso não existe—um arcabouço jurídico eficaz.
Faltam mecanismos que garantam que vale a pena confiar no país.Empresas e indivíduos teriam de fazer apostas de prazo longo e só fazem isso se tiverem garantias mínimas. Não damos garantia de reciprocidade em nível suficiente. Resumo:não creio que o recente "investment grade" seja sustentável (de novo,Clemente?).
Sem regra da lei (rule of law) não há inovação.Parem de nos chatear com palavreado econômico,índices disso e daquilo superávits,copoms,taxas de juros....o tema do país é INSEGURANÇA(em vários níveis).Estamos nos aproximando de um país sem lei.
Jornais de hoje e ontem (cito de memória,me ajudem a completar):
-Justiça decide que políticos que respondem a processo podem se candidatar nas próximas eleições
-Dois deputados cariocas ordenaram ataques de milícias à delegacia
-MST e Via Campesina promovem invasões e depredações pelo Brasil a fora
-Governo pressiona agência reguladora a fazer o que lhe interessa, mas “tudo está dentro da lei”.
-Corrupção no sindicato envolvendo BNDES
-Corrupção no governo gaúcho
-Corrupçao em licitações do governo paulista (Metrô,há uma multinacional envolvida)
-Corrupção no Detran de SP
-Ex Governador carioca acusado de corrupção
-Ex Governadora carioca acusada de corrupção
-Ex chefe da polícia carioca acusado de corrupção
-Fortíssmos indícios de tráfico de influência nos altos escalões (caso Varig)
-Governo abre o cofre e garante nova CPMF etc...
Esqueci de algo?.
Ah..teve aquele índio (índia?)que resolveu tirar uns bifes de um engenheiro enquanto a TV filmava ,mas ele é inimputável.
Tem também o de sempre.Polícia federal prende todo mundo.Justiça manda soltar todo mundo
Sem regra da lei não pode haver inovação sustentável, não se iludam. É ela que garante a reciprocidade.

12/06/2008

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O Brasil é ruim de inovação sim. Por quê?

Quando analiso uma questão aberta assim-(podemos inovar sustentavelmente?)-uso minha cabeça de físico.Pego as forças que definem o movimento da coisa,vejo como elas atuam,se se cancelam ou se somam,qual a resultante,a direção em que vai atuar, e o tipo de movimento que vai produzir.
A resposta à pergunta acima é “não” pelo seguinte—não é possível inovar em larga escala sem um ambiente propício á inovação.
Esse ambiente não tem nada a ver com uma lei que possa existir (lei de inovação ou outra qualquer) .Leis não valem nada sem um sistema que as torne efetivas.
Ele (ambiente) é caracterizado por vários fatores ,entre os quais:garantia de que os frutos do meu trabalho serão meus (hei MST,que tal essa?).[Direito de propriedade].Sistema financeiro decente,judiciário que garanta a regra da lei,ausência de corrupção,concorrência,informação livre,sistema de regulação de mercado independente...É isso. A resultante dessas forças hoje puxa o Brasil para trás.
O sistema judiciário não desestimula a corrupção (sentido amplo).
Há corrupção demais no Brasil, e é sabido que existe uma correlação inversa entre riqueza (de nações não de pessoas) e corrupção.
Há sim, no Brasil, empreendedores e empresas que APESAR DISSO, arriscam e inovam. Isso é ultra-louvável, e deve ser aplaudido de pé, mas essa gente é exceção. O que eles fazem não pode ser generalizado. Não podemos dizer :”Ei veja como eu dei certo,faça como eu que você dará certo também”.O que podemos dizer é:"se não fôssemos tão corruptos como sistema,haveria muito mais gente e empresas como a minha".
O fato de Bill Gates ter ficado milionário antes dos 30,prova que é possível chegar lá, só não prova que VOCÊ pode chegar lá antes dos 30.
É 100% certo que alguém vai ganhar na loteria esta semana, só que, provavelmente, não vai ser você.
É um viés incidioso dizer:”eu consegui tal coisa, e isso prova..” .Não prova nada além de provar que você conseguiu.
Termino com algo que já escrevi neste blog.
"O mesmo viés também explica por que famosos e milionários adoram a frase que se tornou o ícone supremo do paulocoelhismo:”Se você deseja algo, o universo inteiro conspira a seu favor”.
Não admira que pessoas bem sucedidas acreditem nisso. Elas são bem sucedidas, e isso seria a prova de que o universo conspirou a favor delas.
Famosos e milionários são a minoria esmagadora. São os pontos fora da curva. O análogo estatístico ao fumante inveterado que não ficou doente. O que dizer dos milhões e milhões de leitores “médios” de Paulo Coelho (PC), que não são e jamais serão famosos, independentemente da intensidade com que desejem sê-lo?
Esses, acreditando no que dizem as celebridades, continuarão comprando livros de PC e desejando, desejando, desejando, cada vez mais intensamente.
Até morrerem explodindo de desejo e totalmente anônimos!Ante a indiferença glacial do universo!!!
É que o universo está ocupado demais “conspirando” a favor de Brad Pitt, Sharon Stone e Madonna, entende"
?

13/06/2008

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